
Caiu por terra hoje no Maracanã um velho estigma: a que o jogador corre mais por dinheiro. Na preleção antes de o Flamengo entrar em campo para enfrentar o Resende, Cuca deixou claro aos atletas que a vitória significaria receber tudo o que o Flamengo deve ao time: 13º de 2008 e salário de janeiro. Além de uma premiação para chegar à final da Taça Guanabara.
Os jogadores sorriram, rezaram, fizeram pacto de vitória. E entraram em campo. A diretoria tinha certeza que o time 'atropelaria o Resende'e torcia para um Fla-Flu na decisão do torneio para ganhar mais dinheiro. A derrota desestabilizou a todos. Os dirigentes para desviarem o foco tentaram repassar a culpa para o árbitro Felipe Gomes da Silva. O vice de futebol, Kléber Leite, o chamou de débil mental e tentou invadir o campo. Cuca estava estarrecido com o fraco rendimento da equipe. E os bolsos dos jogadores e, de grande parte dos funcionários do clube, vazios.
Por Cosme Rímoli às 20h48

Foi uma corrida de 100 metros. Quem piscou, perdeu. Vários empresários do futebol brasileiro como Vagner Ribeiro, Claudio Guadagno, Juan Figer, Carlos Leite mal tiveram tempo de tomar fôlego.
Quando foram partir para cima de Boquita, o meia corintiano que se destacou na Taça São Paulo, ele já tinha fechado com o grupo Sondas.
E o jogador de 18 anos aprendeu rápido.
"Qualquer decisão sobre a minha carreira fica com eles. Ele são os meus empresários. Sabem o que é melhor para mim. Eu vou cumprir tudo o que eles determinarem. Tudo."
A direção corintiana assistiu a essa rápida corrida de camarote. E o tratamento será vip. Depois de perder Keirrison, quando atuava no Coritiba, o grupo Sondas promete fazer de Boquita um ídolo não só corintiano, mas brasileiro. Dá-lhe marketing.
Por Cosme Rímoli às 19h38

Não há como escapar. O coordenador do Centro de Treinamento do São Paulo em Cotia, Bebeto de Oliveira entrega: a tatuagem chegou no Brasil para ficar.
"Não adianta, os meninos fazem questão de marcar o corpo. E cada vez mais novos. Fazer o quê?", pergunta. O CT do São Paulo reúne 90 garotos.
Mas o fenômeno não é privilégio são-paulino. Os dirigentes das categorias de base do Santos, Corinthians e Palmeiras já perceberam que não há como evitar as tatuagens.
E o pior, quando os meninos começam a ganhar seus primeiros salários, fazem filas no tatuadores caros espalhados pelas capitais do Brasil. Chegam a custar R$ 5.000.
E os desenhos são cada vez maiores. Depois da fase religiosa, caveiras, homenagens a familiares, ideogramas japoneses, a hora é do hip hop.
"A única coisa que conseguimos controlar é o uso de brincos e piercings. Isso a gente não deixa. Tatuagem não tem como...", diz Bebeto de Oliveira.
Os meninos têm como grande ídolo no mundo das tatuagens o inglês metrossexual David Beckham. Ele tem nove espalhadas pelo corpo.
Nas décadas de 60 e 70 se algum jovem tatuado aparecesse em clubes grandes para fazer teste seria dispensado. Tatuagem era encarada como marca
registrada de marginais. As exceções foram raras.
E a moda tem consequências na Europa.
Preocupada com procura de seus jovens jogadores às tatuagens, a diretoria do Real Madrid decidiu obrigar a todos que quiserem fazer desenhos nos seus corpos a pedir licença
ao clube. E, mais, justificar o porquê e o tamanho da tatuagem. Vários pedidos já foram recusados.
O Real Madrid alega que a pele de seus atletas pertence ao clube. E uma tatuagem exagerada ou de mau gosto pode prejudicar a imagem do Real Madrid no mundo. Os dirigentes
ficaram traumatizados com Beckham.
Por Cosme Rímoli às 18h18
"Não precisamos do Corinthians para sobreviver. Três shows da Madonna renderam o mesmo que dois anos de jogos do Corinthians no Morumbi."
As frases de Marco Aurélio Cunha atiçaram ainda mais a rivalidade com o rival.
Mas, na verdade, mostra a tendência cada vez mais elistista que o São Paulo está traçando.
A livraria no estádio já enche de orgulho o presidente Juvenal Juvêncio. Assim como o bar Santo Paulo.
O clube está para lançar uma megaloja na Oscar Freire, a rua mais cara da América Latina. O local foi escolhido para
impressionar, mesmo.
No marketing são-paulino estimulado pela produção de um longa metragem com as conquistas, há planos como o de
batizar um condomínio com o nome do clube.
Por enquanto, é brincadeira entre os conselheiros, mas ninguém se espantará se o São Paulo imitar o Boca Juniors.
E criar um cemitério só para são-paulinos.
Por Cosme Rímoli às 21h41
Totti chamou Taddei para uma conversa que pode mudar a vida do brasileiro da Roma. Era o que faltava. Depois de esperar ser notado por Dunga, recusar dois convites, o jogador mudou
de idéia: vai aceitar jogar pela Seleção Italiana.
"A decisão é recente. Eu queria demais representar o meu país. Sou uma pessoa de princípios. Sou titular há quatro anos na Roma, um dos clubes mais importantes do mundo. Nunca
entendi porque nunca tive sequer uma chance na Seleção Brasileira. Recusei a Copa do Mundo da Alemanha e a Eurocopa do ano passado pela Itália. Mudei de idéia. Chega. Vindo
novo convite vou aceitar. Cheguei à conclusão que você não pode conseguir tudo na vida. Se não sirvo para o Brasil, sirvo para a Itália."
Taddei: qual a sua explicação sobre nunca ter sido convocado pela Seleção Brasileira?
Simples: não sou jogador que faça marketing. Eu que tenho de sair explicando, mostrando o quanto me tornei importante no futebol italiano? Que eu estou jogando muito bem? Que eu ganhei duas Copa da Itália? Que eu fiz o gol mais bonito do ano passado de bicicleta?As pessoas teriam de acompanhar, conhecer mais futebol. Quando surgi no Palmeiras havia inúmeras estrelas (contratadas pela Parmalat). Me viam como coajuvante. Isso foi
ruim para mim. O meu crescimento como atleta foi fora do Brasil, na Itália. Fui muito bem no Siena e agora estou na minha melhor forma no Roma. Eu tinha um
grande sonho que era jogar no Brasil. Mas esse sonho acabou. Vou completar 29 anos em março. Você faz escolhas na vida. Eu optei pela Seleção Brasileiro por muito tempo. Agora chega!
Como foram os convites para defender a Itália?
Marcelo Lippi e Donadoni mandaram me perguntar se eu estava disposto a jogar pela Itália. Eles me conhecem e sabem o quanto valorizo o meu país. Eu agradeci muito e disse não à
Copa da Alemanha e à última Eurocopa. Além de esperar pelo Brasil, eu tinha uma grande preocupação como os italianos me receberiam. O Totti e outros importantes jogadores italianos,
quando souberam que eu havia dito não de novo e que a Seleção Brasileira não me chamava, vieram conversar. E me mostraram que todos estavam de braços abertos. E mais:
que precisavam de um jogador com as minhas características na Seleção Italiana. Me convenci, se surgir nova chance de atuar pela Itália, eu vou aceitar.
Quem o vê vitorioso no Roma não sabe como a sua vida foi difícil...
É verdade. Eu cresci na Brasilândia (bairro com fama de violento da periferia de São Paulo). Minha mãe, Elizabete, tinha três filhos e era separada do meu pai. Trabalhava como secretária em
dois empregos. Meu pai tinha um bar e ficava afastado. Eu tinha muitos amigos que optaram pelo caminho mais fácil: roubar, traficar drogas. E vários deles perderam a vida por causa
disso. Eu segui a determinação da minha mãe. Aproveite a chance que tive no Palmeiras e trabalhei com toda a seriedade possível. Passamos muitas dificuldades até que eu me firmasse como
jogador. A primeira coisa que fiz foi comprar uma casa para a minha mãe. A minha vida foi sofrida e por isso valorizo demais a minha carreira, o meu trabalho. Só que não virei as
costas para o meu passado. Sempre que posso vou visitar amigos meus na Brasilândia.
Você neste final de semana vai enfrentar o Siena. É uma partida diferente para você?
Sim. O Siena me abriu as portas para o futebol italiano. Eu cumpri o meu contrato até o final com o clube mesmo tendo propostas da Juventus e da Inter de Milão. Eu tinha dado antes
a minha palavra com a diretoria da Roma. Cheguei a ficar quatro meses apenas treinando, mas cumpri a minha palavra. Eu valorizo demais as minhas promessas, minhas metas. Se eu
digo que para mim estou pronto para a Seleção Italiana é que esqueci de vez a Seleção Brasileira.
Por Cosme Rímoli às 16h32
Amigos, companheiros, assessores de imprensa. Durante dois anos, Bosco foi aconselhado. Todos pediam que ficasse quieto, as pessoas iriam esquecer. Realmente o assunto não é
mais manchete. Mas, pelas costas, muita gente se referia ao goleiro reserva do São Paulo como 'o clone de Rojas'.
A referência era péssima. O goleiro chileno simulou ter sido atingido por um foguete em 1989 no Maracanã, quando Brasil e Chile, disputavam as
Eliminatórias para a Copa do Mundo. Depois de desmascarado pelas câmeras de televisão, Rojas foi banido do futebol pela Fifa. Poucos
meses antes, a imprensa chilena o havia escolhido como o melhor goleiro a nascer no país andino em todos os tempos.
Para aqueles que não se lembram, no Campeonato Brasileiro de 2007,
quando a rivalidade entre Palmeiras e São Paulo resvalava na insanidade, Bosco foi além.
Para tentar interditar o Parque Antártica, ele simulou ter sido atingido por uma pilha. Fez escândalo, procurou policial. Ele queria
prejudicar o Palmeiras de qualquer maneira.
Só que a cena foi filmada e ele não foi atingido por nada.
Enraivecidos, os dirigentes palmeirenses defendiam uma suspensão de 20 partidas. Bosco pegou uma partida só de suspensão e
decidiu não mais tocar no assunto.
Até hoje à tarde. Depois de quase dois anos, ele teve uma atitude mais do que digna ao falar sobre o que aconteceu.
"Eu venho pensando nisso há um tempão. Pela primeira e última vez vou tocar nesse assunto. Eu sou um atleta de carreira limpa. Me
deu um branco. Fui mal. Simulei, fingi mesmo. Não pensei nas consequências. Me envolvi demais no clima de jogo. Errei e fui punido com
razão. Quero pedirdesculpas ao Palmeiras e a todas as pessoas que eu poderia ter prejudicado. Me arrependi e não quero que minha
carreira fique manchada. Peço desculpas mesmo ao Palmeiras."
Depois de falar as palavras que o assombravam, o semblante de Bosco era ourto. Estava aliviado. Errou feio, pagou e se desculpou. Exorcizou um fantasma que o perseguiu há quase dois
anos.
Quem sabe, se Rojas tivesse feito a mesma coisa, teria sofrido menos? E fosse bem menos amargo do que é hoje como treinador de goleiros do Sport Recife.
Por Cosme Rímoli às 23h26
Surgiu ontem na imprensa inglesa a notícia de que a diretoria do Liverpool estaria disposta a pagar 35 milhões de euros por Keirrison. O interesse é antigo, desde o Coritiba.
Assim como a Roma já se manifestou, o Atletico de Madrid, Shakhtar Donestk.
A diretoria de futebol do Palmeiras soube da notícia. A imprensa brasileira também. E qual foi a principal pergunta que o atacante teve de responder? E várias vezes hoje no desembarque depois da derrota
para a LDU? Se ele deseja ir para o Livepool...Lógico.
Com medo que o jovem atacante perca o foco no Palmeiras e na Libertadores, os dirigentes resolveram telefonar para os empresários do
jogadores e proibiram
que passem para os repórteres os nomes dos interessados em levar o atleta. Os empresários juraram se calar.
E a diretoria ordenou a Keirrison não mais tocar no assunto daqui
por diante.
O sonho de uma noite de verão: se o jogador e seus empresários não falarem, ninguém vai comentar o interesse dos clubes europeus. E
assim Keirrison terá mais tranqüilidade para marcar gols.
Os dirigentes agem como se não existisse Internet, jornais, televisões e rádios.
Os pretendentes vão continuar a se manifestar.
Assim como a imprensa perguntará se o jogador quer ir atuar na Europa.
Um conselheiro da oposição ironizou sentado em um banco de frente à sala da presidência palmeirense:
"Quer namorar mulher bonita? Então agüenta os olhares de cobiça dos outros homens."
Por Cosme Rímoli às 20h00
A estréia com empate em 1 a 1 com o Aston Villa foi um motivo de alegria para Zico no CSKA Seu time empatou na Inglaterra pela Uefa.
A sua estréia no comando do time russo serviu para amenizar o desapontamento do maior ídolo do Flamengo com um dos maiores símbolos do Vasco, Roberto Dinamite.
Zico soube das inúmeras acusações feitas pelo ex-vice de marketing vascaíno: José Henrique Coelho. As denúncias são
pesadas: vão desde maquiar o orçamento do clube, nepotismo, caixa dois. O treinador tomou conhecimento que o Ministério Público do Rio de Janeiro está apurando cada acusação.
Enquanto a diretoria do Flamengo do Piauí entregava uma placa à diretoria do Vasco ontem para homenagear Roberto Dinamite, Zico resolvia não se aprofundar no assunto se for perguntado.
Ele deu apoio público para Dinamite na luta para tirar Eurico Miranda do poder. E Zico preserva demais a sua imagem.
Só se aprofundará sobre o tema quando o Ministério Público der a sua versão. E definir se a administração Roberto Dinamite está mesmo corrompida. Como acusa Coelho. Ele foi articulador da campanha do amigo de Zico para a
presidência do Vasco.
Por Cosme Rímoli às 18h34

Emocionalmente envolvidos pelas massacrante força da mídia, milhões de brasileiros ficaram tocados com a medalha de prata que o futebol feminino conseguiu na Olimpíada da China.
Após a entrega da medalha e a chegada no Brasil, mil promessas de quem comanda o esporte no País. Promessas daquelas que marido cafajeste faz para esposa quando volta cheirando
perfume barato. Tudo vai mudar.
Presidente, ministros, governadores, prefeitos, deputados, vereadores, presidente de Confederação, presidentes de Federações. Todos juraram que iria acontecer um
Campeonato Brasileiro decente, com transmissão pela tevê, campanhas, torcidas, preliminares dos principais torneios masculinos.
Menos de seis meses, a traição do marido cafajeste se confirmou. Com a palavra Érika, 21 anos, atacante do Santos, com passagem para os Estados Unidos.
"No Brasil eu não fico, não. Gostaria, mas não dá. Ninguém fez nada por nós da Seleção Brasileira Feminina. Aqui as jogadores sofrem demais. Não há condições nem de se sustentar,
quanto mais sustentar família. Jogar futebol não é profissão. Somos marginalizadas. Ninguém sabe, ninguém vê o nosso campeonato. Ainda há um grande preconceito machista. Sinto
pela minha família, meus pais, mas chega! Vou embora! E da Seleção Brasileira só não vai quem não pode...."
O desabafo é mais do que compreensível.
Érika era uma das três jogadoras do Santos com maior salário: R$ 1,5 mil mensais. Há jogadoras no clube, que é de elite no feminino, que recebem menos que o salário mínimo.
"Nas longas conversas que tive com as outras meninas nós sonhavamos: imagina se todo jogador do Santos desse mil reais para cada jogadora. Adotasse mesmo. Já que não
vinha de outro lugar, quem sabe um atleta conhecendo o drama de outro ajudasse. Mas era apenas sonho. Os jogadores não têm obrigação disso. O apoio, o dinheiro teria
de vir de outro lugar. Era só desespero, conversas para tentar nos animar."
Outro dado revoltante. Quanto valeu para cada atleta da Seleção Brasileira ganhar a medalha de prata em Pequim? Érika, envergonhada, responde:
"Ganhamos uma diária: R$ 35,00 e nada mais. Foi como se tivéssemos vivido um dia normal na Olimpíada. E quando chegamos ao Brasil nos despedimos de todos como se nada
tivesse acontecido."
Essa é a realidade do Brasil. Um dos candidatos a sediar a Olimpíada de 2016.
Por Cosme Rímoli às 09h44
Francisco Monteiro. 65 anos. Sua vida é uma mistura de conto de fadas, filme de suspense com novela policial. Foi ele o empresário que levou Ronaldo ao Corinthians.
Sua primeira idéia era acabar com a aposentadoria de Zidane e levá-lo ao Parque São Jorge. Ele caiu em desgraça com a mídia desde que entregou para televisões e rádios cópias de uma fita cassete. Nela, o ex-presidente do São Paulo, José Eduardo Mesquita Pimenta, aparentemente cobrava uma quantia de dinheiro pela venda do ponta Mário Tilico ao Atletico de Madrid. Em 1992. 
“A maior prova que o desonesto não era eu veio do próprio São Paulo. O clube me procurou cinco anos depois para vender o Denílson em uma transação de US$ 30 milhões. Eu fiz o que tinha de fazer com o Pimenta e não me arrependo”, afirma Todé.
Fez da Espanha seu paraíso particular.Vendeu jogadores como Rivaldo, Djalminha, Luizão, Viola, Mazinho, Flávio Conceição, Mauro Silva, Antônio Carlos, Cafu. Levou Palmeiras, São Paulo e Corinthians para torneios importantes e tradicionais como o Ramon de Carranza e Tereza Herrera. Fez, e se arrepende, de Carlos Alberto e Jair Pereira treinadores de clubes espanhóis.
Nos último anos tem trabalhado com showbol. Ele até trouxe Maradona ao País para enfrentar a Seleção Brasileira.
“Não sei porque as pessoas fazem de conta que o Todé não existe. Foi ele quem convenceu o Ronaldo a ir para o Corinthians. Foi ele quem falou com o Andres. O Todé fez tudo, tem todos os méritos”, admite o médico Joaquim Grava.
Como foi que você levou o Ronaldo para o Corinthians?
A história é simples. Eu encontrei o Ronaldo há um ano e meio na Itália. Perguntei se ele estava disposto a jogar showbol. Ele me respondeu que ainda iria jogar uns dois ou três anos. E queria atuar no Brasil. Fiquei com aquilo na cabeça. Depois alguns amigos me apresentaram o Zidane e falaram que ele não parava de fazer partidas beneficentes.
O que o Zidane tem a ver com o Corinthians?
Tudo, meu filho. Tudo. Calma, vou explicar. Em dezembro do ano passado, o Joaquim Grava me disse que o Andres Sanches queria contratar de qualquer maneira um jogador de impacto. Atleta para fazer marketing, atrair a atenção mundial. Eu pensei no Zidane. Já pensou? Ia ligar para os meus amigos, quando lembrei do Ronaldo e falei para o Grava. Ele ficou empolgado e ligou para o Andres. Eu peguei o telefone e perguntei: ‘Te interessa o Ronaldo no Corinthians?’. O Andres ficou louco e respondeu do jeito espanhol dele “Claro, porra. Traz ele para mim.”
E o que você fez?
Não sou bobo. Telefonei para o Djalminha que é ‘irmão’ do Ronaldo. E fomos juntos conversar com ele no Rio. Fui direto. Falei para esquecer essa história do Flamengo porque se o clube o quisesse de verdade já teria feito proposta. E perguntei se ele queria jogar no Corinthians em São Paulo. Ele tomou um susto danado. Pensou 30 segundos e disse: “Corinthians? Claro, quero. Me vê isso aí”. Chamei o Andres para o Rio. O encontro foi engraçado.
Como assim?
O Andres foi direto: “Ronaldo, quero você no Corinthians. Mas não tenho dinheiro”. O Ronaldo respondeu na lata. “Quem está falando de dinheiro aqui é você. Se fosse por dinheiro eu iria para o Catar. Eu quero ter o prazer de jogar de novo. Sentir que uma torcida está comigo. Vamos fazer o seguinte: me dá as mangas da camisa e o calção. E mais um salário que depois a gente combina. Usa a minha imagem. E está fechado”. Os dois deram as mãos e estava fechado a maior contratação da história do Corinthians.
E a história que o patrocínio vai ser árabe?
Pelo que eu sei tem muita chance. Isso porque já acertei alguns jogos do Corinthians em Dubai. E também fechei um contrato para o Ronaldo dar um nome a um edifício gigantesco por lá. Acertei também para o Pelé e para o Guga. Os caras são loucos por batizar prédios. O Beckham acaba de ganhar uma nota preta para deixar colocarem o nome dele em quatro edifícios. Ah, e times japoneses também querem amistosos com o Corinthians de Ronaldo.
Gente importante do Corinthians disse que você ainda não ganhou dinheiro por ter levado o Ronaldo ao Parque São Jorge.
Deixa falar. Eu confio no Andres. Ele e o Ronaldo sabem o que fiz para essa negociação dar certo. Vou receber o meu.
Por falar em confiança, o que você fez com o ex-presidente do São Paulo, José Eduardo José Mesquita Pimenta, foi um ato de traição, não?
(irritado) Traição? Eu? Ele quis ganhar dinheiro às custas da venda do Mário Tilico e sou eu quem traí? Pelo menos você me pergunta na cara e não pelas costas como muita gente faz até hoje. Fiz o que eu tinha de fazer. Não me arrependo. Dei a fita para várias emissoras de rádio e televisão. Fiz para mostrar quem era ele.
Mas você ficou com fama de empresário picareta, maldito...
(mais irritado ainda) Isso para quem é imbecil. Cinco anos depois do que aconteceu com o Pimenta, o São Paulo me chama para vender o Denílson. Sou maldito? Sou picareta? Para quem interessa, para a direção do São Paulo que era outra, não. Minha consciência está tranqüila.
A história da venda do Denílson é hilária...
É verdade. O Denílson estava no auge em 1997. O Real Madrid, o Barcelona, o Atlético de Madrid, a Lazio e o Bétis queriam levá-lo. Estava uma disputa enorme na imprensa. O São Paulo precisava de dinheiro e sonhava com US$ 7 milhões. Eu e o meu falecido parceiro Fernando Torcal fomos visitar os clubes. Quando chegamos na diretoria do Bétis, a imprensa estava falando em números astronômicos. Ao tentar fazer a proposta, o presidente e banqueiro Manuel Luiz Lopera, nos interrompeu. Íamos pedir US$ 9 milhões. Ele foi logo falando: “Olha, o máximo que podemos pagar é US$ 28 milhões, em três vezes. E nem um dólar a mais”. Olhei para o Torcal. Nos seguramos para não tremer. Falamos que daríamos a resposta no dia seguinte.
E aí?
Quase morremos do coração quando chegamos no hotel. O Torcal me
Xingando por não ter aceito na hora. Ficamos a noite inteira andando no quarto de hotel sem dormir. Quando amanheceu fechamos o negócio e comemoramos. Se nós fôssemos picaretas pegaríamos os US$ 8 milhões e daríamos ao São Paulo e racharíamos o resto com o Lopera. Como muito empresário já fez. Eu, não. Nunca precisei roubar ninguém.
Qual o pior negócio que você fez?
Empurrar o Carlos Alberto Silva e o Jair Pereira para trabalhar em clubes espanhóis. Os dois foram mal demais. Assim como o Vanderlei Luxemburgo que foi trabalhar no Real Madrid. Não sabia falar espanhol direito. Os jogadores tiravam sarro dele pelas costas nos vestiários. Treinador para trabalhar na Espanha tem de, no mínimo, falar bem demais espanhol para não dar vexame.
E o showbol?
Está dando certo demais. Se fosse picareta jogadores como Ricardo Rocha, Djalminha e muitos outros que atuaram na Seleção não estariam comigo. Eu tenho contrato com rede de tevê a cabo por quatro anos. Trouxe a Seleção Argentina com o Maradona. Agora vou trazer a França com o Zidane para jogar no Ibirapuera e no Maracanãzinho. Meus jogadores sabem que mal acaba a partida eu chego em cada um com um envelopinho com o dinheiro. Eu não sou maldito. Malditos são os outro. Não o Todé. Taí o Ronaldo no Corinthians que não me deixa mentir.
Por Cosme Rímoli às 21h19
"Não sei. Não sei. Não sei."
Na Paraíba para disputar a Copa do Brasil, René Simões estava perplexo depois do julgamento em que o Vasco foi derrotado ontem . O treinador do Fluminense tinha certeza que o Vasco da Gama irá recorrer contra
a decisão do STJD da Federação Carioca que tirou , por enquanto, a equipe cruzmaltina das semifinais do campeonato do Rio de Janeiro.
Vivido, René sabe que o fato de estar marcada a semifinal entre Fluminense e Botafogo para a quarta-feira de Cinzas pode significar nada. Já que o clube de Roberto Dinamite vai
apelar ao STJD da CBF. O confuso Campeonato Carioca pode ser paralisado, o adversário do Fluminense tem chance de ser o Flamengo. Ou ser confirmado o Botafogo.
"Não sei de nada. É uma situação mais do que desagradável para todos. Principalmente para nós que não temos culpa de nada. Não sei se era melhor para o meu time jogar no sábado de carnaval como estava marcado. Não sei se é bom
esperar a quarta-feira de Cinzas. Meus jogadores ficarem concentrados nas segunda e terça de Carnaval, o que ninguém no Rio gosta. Não sei se vou preparar o time para uma partida
que pode não acontecer. Infelizmente eu não sei nem o que falar sobre essa situação."
René lamenta muito porque, justo agora que o Fluminense começava a melhorar seu futebol, surge essa desmoralizante confusão no futebol carioca.
"Fica difícil até explicar para os jogadores. É uma situação horrível para todos."
Por Cosme Rímoli às 11h01

"O atacante se desloca uma vez. A bola não chega. Ele corre uma segunda. Não recebe. Tenta uma terceira e nada. Aí ele decide ficar entre os zagueiros mesmo.
Nessa hora o técnico tem de ver o que está acontecendo. O Keirrison não jogou contra a LDU. E o time não jogou para ele, não."
A análise foi feita dez minutos após a derrota para o Palmeiras ontem no Equador. E por quem conhece muito futebol, Palmeiras e que sofreu por inveja até de companheiros. No Palmeiras e na Seleção Brasileira: Ademir da Guia.
O eterno ídolo palmeirense não gostou da maneira que o time paulista perdeu para o LDU por 3 a 2. E principalmente como a bola não chegou em Keirrison.
"Ele só tentou dar um chute ao gol. Não dá para entender. É pouco demais para o que ele joga."
Keirrison foi o jogador mais badalado, que recebeu mais elogios nas vitórias palmeirenses no início do ano.
"O grupo é jovem. Todos querem vencer. E precisam se ajudar. Se o Keirrison se destaca não é para ninguém do time ficar incomodado", ensina o Divino Mestre que já percebeu
que as coisas não estão tão bem como deveriam no time de Luxemburgo.
Por Cosme Rímoli às 21h43
Jorge Valdano está no Brasil. Argentino, campeão mundial de 1986, jogador, técnico e dirigente. Lançou ninguém menos do que Raúl, jogador-símbolo do Real Madrid.
Em São Paulo ele coordena um curso de MBA em Gestão e Marketing em Entidades Esportivas. O Real Madrid é o clube mais rico do mundo com patrimônio calculado em 500 milhões de euros.
É considerado pela imprensa espanhola como um dos maiores intelectuais do futebol. Escritor, jornalista e dirigente. Seus apelidos: "Filósofo" e "Poeta". Escreveu cinco livros.
Colabora com um dos mais conceituados jornais da Europa: "El País". Seu último livro, Administração Inteligente, foi publicado pelo Ministério das Administrações Públicas da Espanha.
Foi na Bandsports hoje. No programa Por Dentro da Bola. Estive lá também.
Oportunidade rara para quem gosta de pensar sobre futebol. Lições no ar e, principalmente, com as câmeras desligadas.
Por que os clubes brasileiros e argentinos são tão atrasados e pobres?
É uma mistura de corrupção, maneira familiar e antiquada de administrar. O fato de a América Latina ter saído há poucos anos da ditadura militar também contribui. As administrações
não são transparentes. Não se administra os clubes como empresas. Sei que o São Paulo e o Internacional trabalham bem por aqui. O Boca Juniors também. Em compensação, o River
Plate é um desastre. Foi o clube que mais vendeu jogadores importantes na Argentina e está quebrado. Não há explicação que me convença.
O que o Real Madrid faz para ser o clube mais rico do mundo?
Administrar o dinheiro e usar toda a força que o Madrid tem no mundo. A administração é voltada 50% para o marketing. Repito: 50%. Não se perde dinheiro ou chance de divulgar o nome do
Real por onde quer que se vá. O alvo é o mundo inteiro. Nada acontece por acaso. Somos conhecidos no planeta porque sabemos vender a nossa marca. E investir. Temos rádio, televisão,
museu, quatro restaurantes, estádio. Tudo. A cobrança também é muita. Nós temos essa escola de pós-graduação em administração de clubes no Real Madrid. Estamos trazendo para o Brasil
porque é um país de grande potencial.
Com a maneira liberal de ver o mundo não dói saber que o Real serviu à ditatura sanguinária do generalíssimo Franco?
Isso eu não admito! Foi o general Franco que quis usar a imagem do Real Madrid. E meu clube tinha ganho inúmeros torneios da Europa quando esse cidadão não era ninguém. Esse é um
erro histórico que as pessoas que são contra o Madrid gostam de espalhar. Eu repudio. O Madrid não teve associação com Franco. Ele quis, tentou, mas não conseguiu. Gente boa e gente
ruim gostam e gostaram do Madrid.
Como você vê a Copa no Brasil? É possível organizá-la sem corrupção?
Caberá à imprensa brasileira um papel significativo, investigativo. Muito dinheiro internacional circulará no País. É missão dos jornalistas cobrarem que o dinheiro seja bem aplicado. Que a Copa
reverta de verdade para o bem do Brasil e não de alguns. O mundo vai parar para ver o Brasil em 2014. Isso não tem preço. E vale para o bem e para o mal.
A crise econômica já atingiu o futebol europeu?
Sim. Já é possível sentir isso. A televisão já está preocupada. Os patrocinadores começam a quebrar, a parar de patrocinar programas. Os clubes também estão começando a ficar afetados. E
os mal administrados vão sentir mais os efeitos dessa crise. Na Europa e no mundo inteiro. Acabou a fase do amadorismo. A conjuntura não permite mais desperdício. Isso vale para os clubes
brasileiros. Quem não se modernizar pode e vai sumir.
Por que Luxemburgo fracassou no Real Madrid?
Eu estava um pouco afastado do futebol,mas sei o que aconteceu. Seu trabalho foi bom. O problema estava no conturbado momento político que o Madrid vivia. As pessoas estavam uma contra a outra. Isso afetou
diretamente o trabalho do Vanderlei. Ele foi demitido porque estava no meio da guerra. Foi uma lástima porque é um ótimo treinador. Assim como faltou visão ao Chelsea com Scolari. Outro
desperdício. E com Bianchi no Atletico de Madrid. Mas não houve preconceito, não. Faltaram resultados e paciência.
Você acha que o Robinho errou quando desprezou o Madrid?
Sim. Mas eu que fui jogador entendo o que aconteceu com ele. O Madrid tentou contratar o Cristiano Ronaldo e o Robinho serviria como moeda de troca. Ficou magoado e forçou sua saída.
Mas no Manchester City ele nunca será o melhor do mundo. Pode fazer o que quiser. E tem mais: foi mal orientado. Perdeu dinheiro e prestígio. Ele é jogador para atuar em grandes clubes
do futebol mundial. O episódio Robinho foi mal conduzido. Aconteceram erros de todos os lados.
Como você viu a recuperação cinematográfica de Maradona?
Ele é uma pessoa diferenciada em todos os sentindos. Até no seu corpo. Suportar o massacre que ele mesmo se submeteu por causa das drogas não tem explicação. E depois dar a volta por
cima, não só sobreviver como ainda assumir a Seleção Argentina. E de forma serena, segura. Inacreditável. O Diego é companheiro, leal, confiável. Nunca se aproveitou do talento genial que teve humilhar ninguém, para
se mostrar melhor. Por isso ele é tão querido de quem se aproxima dele. E tem mais: ele conhece muito futebol. Isso é ótimo porque a Seleção Argentina nunca dependeu dos técnicos. E como
o Brasil: o talento dos jogadores sempre acabaram se impondo nas grandes conquistas.
Você tem uma história favorita da conquista da Seleção da Argentina em 1986?
Sim. E ela é pouco conhecida. Assim que ganhamos a Copa do Mundo voltamos para a nossa concentração. Ela ficava no América, clube mexicano. Nós, os jogadores, nos demos as mãos.
E em silêncio demos uma volta olímpica ao redor do campo que havia lá. Longe de todos: imprensa, torcida, dirigentes. Só nós. Foi o momento de maior felicidade na minha vida como jogador.
Sentia alegria e orgulho por mim e pelos jogadores. Éramos como irmãos que tínhamos conseguido o feito mais difícil do futebol mundial. Foi um momento único, mágico.
Você volta a trabalhar como técnico?
Não. Eu volto a trabalhar como dirigente esportivo. Florentino Pérez será candidato outra vez à presidência do Real Madrid. A eleição será em julho. Se ele ganhar, eu assumo o futebol. E já
faz parte dos nossos planos contratar ou Cristiano Ronaldo ou Kaká. Um deles vai sim jogar no Madrid. O time precisa de jogadores como eles.
(Em tempo. O curso acontece na Faculdade Anhembi Morumbi em São Paulo em parceria com a Escola de Estudos Universitários Real Madrid. Começa em abril. Quem se interessou
deve ligar para 0800 015 9020 ou www.anhembi.br.)
Por Cosme Rímoli às 18h58

Outro exemplo de como alguns jogadores brasileiros se comportam na Europa.
Luiz Adriano pediu, implorou, sapaetou, ameaçou abandonar o clube, parar com o futebol. Nada disso conseguiu abalar a diretoria do Shaktar Donestk.
O atacante de 21 anos acreditou que bastaria sua vontade de voltar para dobrar o time ucraniano, com quem tem contrato até 2013.
"Ele ficou encantado com o projeto do Palmeiras. O Vanderlei conversou com o Luiz Adriano e deu detalhes como o time seria ofensivo, leve, veloz. Olha, eu posso dizer
que poucas vezes vi um jogador com tanta vontade de defender um time", revela o vice-presidente de futebol Gilberto Cipullo.
O representante da Traffic, André Coury, ficou acompanhando de perto todo o esforço do atacante. André ofereceu aos ucranianos três milhões
de euros, o mesmo que o Shaktar havia pago ao Internacional em 2007.
Só que não houve jeito.
O comportamento de Luiz Adriano atrapalhou e muito a transação. Irritou a diretoria européia que havia acabado de prorrogar seu contrato em mais um ano. E lhe dado aumento.
"Quando viram que ele queria sair de qualquer maneira resolveram pedir dez milhões de euros. E não aceitaram baixar um euro. A negociação ficou impossível", admite Cipullo.
Sentindo que os ucranianos não mudariam sua postura, Luiz Adriano teve de ceder.
Mas, prometeu que em agosto, quando acabar a temporada européia, fará nova perfomance para jogar no
Palmeiras de Luxemburgo.
Por Cosme Rímoli às 12h54
Uma pequena mostra como funciona o sistema eleitoral no Brasil. Sábado, no Palmeiras, houve eleição para conselheiros. Cerca de 3.700 sócios foram votar. O clube resolveu adotar o sistema
de urnas eletrônicas. Contratou funcionários do Tribunal Regional Eleitoral para acompanhar a votação. Ao sair o resultado houve um susto:
mais de 600 votos em branco.
Candidatos da oposição e da situação começaram a questionar: como em um sábado chuvoso, 600 pessoas teriam participar de uma
eleição disputadíssima só para desperdiçar o voto?
Resultado: foi constatado que uma das quatro urnas não enviou os votos para a central. Teoricamente o TRE conseguiu recuperar esses votos.
Mas ainda há muita contestação. A terça-feira amanheceu quente no Parque Antártica. Há muita pressão sobre o presidente Belluzzo que
contratou o serviço.
Há a possibilidade de a eleição ser anulada.
Se isso acontece em um universo de 3.700 eleitores em um clube dá até medo pensar nas eleições para presidente, governador, prefeito...
Por Cosme Rímoli às 09h18
Josiel já percebeu que tudo é diferente no Flamengo. O atacante sentiu que não adianta só treinar e jogar bem. Além de marcar
gols, há a necessidade de se promover. A mídia e a torcida flamenguistas são apaixonadas por Obina. As brincadeiras, as
entrevistas do baiano garantem a ele um espaço importante nas
rádios, tevês e jornais. É como se houvesse um complô. Se tornou quase intocável na Gávea. Há uma exagerada dose de
paciência a mais com tudo que faz de errado:
como perder gols, errar pênaltis ou engordar.
Ao chegar dos Emirados Árabes, Josiel bem que tentou manter a sua maneira de agir. Avesso aos holofotes, preferia treinar
para recuperar a força física.
A sua principal reclamação era que no Al-Whada os treinamentos só aconteciam em um períodos: à noite, devido ao calor.
Depois da forma física recuperada, melhorou a parte técnica. Mas percebeu que precisava ir além.
Esqueceu a timidez e a aversão à imprensa e está combatendo Obina com as mesmas armas que o concorrente: Josiel passou a
dar entrevistas, ser solícito com a mídia carioca. Tudo está mudando rapidamente para ele. Ninguém mais fala em o liberar antes do final do seu contrato em julho. Pelo contrário.
Poderá ser comprado antecipadamente, com o endividado Flamengo aceitando pagar R$ 2 milhões ao clube do Oriente Médio.
Graças ao esforço do atacante em campo. E, muito pelo que está fazendo fora dele, com os microfones. Ninguém é feliz no Flamengo sem a mídia.
Por Cosme Rímoli às 08h28
Marcelo Felipe Soares. 
Esse nome provoca arrepios na direção do Palmeiras. Ele é o advogado que conseguiu tirar o zagueiro David do clube e o levá-lo para a Grécia sem pagar um centavo.
E, para a Polônia, o atacante Beto. Também usando a lei.
Marcelo não quis falar sobre os casos específicos dos dois atletas que ainda estão sendo decididos pela Justiça.
Mas aceitou mostrar, de maneira geral, o que acontece em "alguns grandes clubes do Brasil".
Vocês, advogados, são vistos como aproveitadores. Usam brechas da lei para 'roubar' atletas dos clubes...
Aproveitadores são dirigentes que obrigam jovens a assinarem contratos de gaveta. Coação não é apontar um revólver na cabeça de um menino. Basta dizer:
se você não assinar esse novo contrato de gaveta você vai para o time B. Ou então não joga mais futebol. Nem aqui, nem lugar nenhum. Quem é o aproveitador?
Explique melhor essa história de contrato de gaveta...
Os dirigentes brasileiros não aceitam a lei Pelé. Eles têm aquela visão escravagista da lei do Passe como era antigamente. Os contratos hoje só podem ter no máximo cinco anos. Os dirigentes
obrigam os atletas a assinarem além desse contrato de cinco anos um outro. Esse segundo fica guardado. Não há data e pode ser preenchido quando, como e com a data que o clube quiser.
E pode ter a duração de outros três, outros cinco anos. O jovem para jogar assina os dois e fica amarrado. E mais: esses contratos não são registrados na carteira de trabalho.
É um absurdo jurídico. É vergonhoso. E mais comum do que as pessoas possam imaginar.
Quem tem de acabar com essa situação?
O Ministério do Trabalho. O jogador é um cidadão comum que está sendo burlado. É uma situação triste, mas muito clara. É preciso coragem de todos para enfrentar o sistema. O jogador
precisa ter coragem de denunciar que está sendo lesado. Ninguém é mais escravo. Esse tempo acabou. Muita gente pode não querer, mas a lei mudou. E não tem volta.
(David, 21 anos, está registrado no Panathinaikos. Está inscrito na Champions League. Beto, 19 anos, está atuando no Wisla Cracovia da Polônia.
A direção do Palmeiras garante que vai recuperar os dois jogadores. A alegação para a liberação de ambos foi a mesma: contratos de gaveta.)
Por Cosme Rímoli às 00h26
A saída de Flávio de Oliveira quebrou a harmonia que Mano Menezes tanto gosta e valoriza.
Comissão técnica para ele é um conjunto de excelentes profissionais trabalhando juntos.
A não renovação com Flávio Trevisan já havia sido mais do que desagradável.
Ele teve problemas com o diretor-técnico Antônio Carlos.
A saída após apenas dois meses de Flávio de Oliveira foi pior.
Ficou a impressão de falta de cuidado na escolha do profissional.
Oliveira ficou sozinho na questão das contusões musculares.
Por ele, o time não deveria treinar tantas finalizações após o intenso período de
musculação feito na pré-temporada. Foi voto vencido e as contusões vieram.
As críticas específicas em relação a Douglas também o incomodaram.
E ele preferiu ir para o Santos.
Desprezando até a chance de ser um dos responsáveis pela recuperação de Ronaldo.
Não houve jeito dele continuar no clube, tamanho o desgaste.
Para tentar evitar novos desencontros, Mano Menezes está à frente da busca de novo profissional.
E fez questão de ter uma longa conversa com o primeiro candidato: Volmir Cruz.
Ele está trabalhando atualmente no Bahia.
E a conversa foi ótima.
Ele tem enormes chances de ser o novo preparador físico corintiano.
Desta vez, quem sabe, para ficar mais de dois meses...
Por Cosme Rímoli às 23h51
A TV Globo procurou Luiz Felipe Scolari. A TV Bandeirantes tentou falar com Felipão. A BBC quis entrevistá-lo. O treinador brasileiro não pode e não quer dar entrevistas depois da sua demissão.
No seu contrato com o Chelsea há uma quarentena que o obriga a ficar calado. Esse período serve para dar tempo ao clube se organizar e não ser prejudicado pelas palavras do brasileiro.
A quarentena também serve como ótima desculpa para o treinador ter a certeza de que irá receber tudo o que o Chelsea lhe deve -- a imprensa inglesa especula que chegue a R$ 25 milhões.
Falar antes de receber poderia criar a possibilidade de o russo não pagar tudo o que tem a receber como represália.
O técnico não tem declarações carinhosas a fazer sobre seu ex-clube.
Luiz Felipe acompanhou a primeira partida do Chelsea desde a sua saída. E não estranhou como o time correu na vitória contra o Watford. Ele tem certeza de que foi sabotado por lá.
Ballack, Cech e Drogba estiveram mesmo à frente para desestabilizá-lo.
Não foi o idioma que o tirou da equipe, mas o método de trabalho.
Forçava muito para o padrão inglês nos treinamentos.
E a insegurança que dominou o grupo assim que a crise mundial atingiu o bilionário dono do time, Roman Abramovich foi fatal.
Felipão acredita que não errou quando optou pelo Chelsea. Em Portugal ele recebeu propostas do Atletico de Madrid, Valencia e
Manchester City.
A proposta do time londrino pensou ser a melhor.
Passada a raiva ele até brinca com sua segunda demissão como treinador na carreira.
A primeira foi pelo CSA. O presidente do clube era Fernando Collor. Agora veio a demissão com o Chelsea
que tem as mesmas cores do clube alagoano e também é comandando por um milionário autoritário.
E vale a pena destacar que só um clube teve a coragem de tentar trazê-lo de volta ao futebol brasileiro: o Santos.
Foi o próprio presidente Marcelo Teixeira quem telefonou com um projeto de longo prazo.
Scolari agradeceu e disse que não voltará para o Brasil nos próximos anos.
Por Cosme Rímoli às 18h07
Notícia de última hora e desagradável para Mano Menezes.
O preparador físico Flávio de Oliveira decidiu trocar ontem o Corinthians pelo Santos.
Ele foi contratado há dois meses para substituir Flávio Trevisan.
O rápido desgaste de Flávio de Oliveira aconteceu graças às contusões musculares.
O preparador entrou em conflito com parte da Comissão Técnica devido aos trabalhos com bola.
Ele defendia que os atletas deveriam treinar menos finalização neste início do ano.
Isso porque o trabalho de musculação foi bem forte. Mas não foi ouvido.
As contusões dos atletas corintianos em 2009 teriam origem neste excesso de chutes a gol com os músculos ainda desgastados.
Até por ser muito amigo de Mano, Flávio decidiu sair. Para preservar a amizade.
Será apresentado com Wagner Mancini na Vila Belmiro.
E o Corinthians parte atrás de outro preparador físico.
O presidente Andres Sanches quando soube da situação foi direto:
"Se ele quer sair, pode sair. Não quero ninguém descontente aqui".
O contrato de Flávio iria até o final do ano.
Por Cosme Rímoli às 10h46
Vando de Moraes. Graças a esse treinador o Corinthians não tem Hernanes. A revelação quem fez foi o jogador mais cobiçado do futebol brasileiro. Foi possível perceber ontem um tom de mágoa do são-paulino pela maneira que foi tratado. Mais um desperdício histórico.
Três perguntas diretas que o jogador de 25 milhões de euros respondeu a este blog:
Por que você não ficou no Corinthians?
Ah...Foi em 2001. Eu treinei mais de um mês lá. Treinei bem, eu me lembro. Mas as coisas eram complicadas. Tinha muita gente e eu não fui observado direito. Eu queria ficar, fiz o máximo. Mas de nada adiantou. Não sei o porquê. Não tenho explicação até hoje.
Tem nome a pessoa que o dispensou?
Quem comandava tudo era um técnico chamado Vando de Moraes. Era ele quem decidia tudo. A minha dispensa partiu dele. A resposta de eu não ter ficado no Corinthians está com ele. Sei que jogar,eu joguei. Exatamente como faço hoje no São Paulo. Mas não foi suficiente.
Você acha que tinha cartas marcadas na escolha dos jogadores que ficavam no Corinthians? Porque você joga muito.
Ah...Eu não sei. E olha que ainda eu tentei voltar lá mais uma vez quando disputei a minha última Copa São Paulo. Só que a diretoria são-paulina disse que iria na justiça. Eu não não quis briga. O ideal teria sido em 2001, quando eu estava livre, sem problema algum. Se tinha cartas marcadas? Ah...deixa essas coisas para lá. Não sei... Já passou... Eu sinto que agora estou no lugar certo. Fiquei no São Paulo e estou feliz demais. O Corinthians faz parte do meu passado.
Por Cosme Rímoli às 10h04
Nunca foi tão fácil e barato para o Palmeiras contratar um líder. Bastou o clube aceitar pagar R$ 400 mil que o Internacional liberou Marcão. O jogador de 33 anos deverá chegar ainda hoje, segunda-feira, em São Paulo.
A pedida foi de Vanderlei Luxemburgo. Ele convenceu o presidente Belluzo a investir no veterano atleta ressaltando suas qualidades: "Ele é viril, vivido, pronto para a Libertadores. E também marca bem pelo lado esquerdo do campo. Eu só tenho jogadores que atacam. Ele será muito importante", elogiou Luxemburgo.
Marcão estava desgostoso no Internacional. Tinha perdido espaço. Queria trocar de clube. Quando surgiu a proposta do Palmeiras foi como se tivesse ganho na loteria. Estava negociando com a Portuguesa para disputar o Brasileiro da Série B e ganhou a Libertadores.
Seu contrato deverá ir até o final de 2010. Será inscrito hoje na Libertadores. O Palmeiras terá de cancelar a inscrição de um jogador. Mas Vanderlei avisou: "O Marcão é prioridade". Nada como ser valorizado de novo. Muito vaidoso, em 2007 pegou uma suspensão de 120 dias por usar um produto considerado doping para evitar a queda dos cabelos.
Nos próximos 15 dias o Palmeiras também deverá fechar com um lateral direito. Esse é último pedido de Luxemburgo para completar seu grupo.
Por Cosme Rímoli às 02h29

Triste empate no Morumbi. Inúmeros membros das torcidas uniformizadas que foram para o Corinthians depredaram o que puderam no Morumbi ao final do jogo.
Foi uma ação combinada. Selvagem represália pela distribuição de apenas 10% dos ingressos aos corintianos.
O empate veio na saída do estádio quando as organizadas do São Paulo jogaram bombas caseiras nos corintianos.
Soldados da PM ,que foram para o estádio com os nervos a flor da pele, reagiram com truculência. Agrediram quem estava perto dos portões do Morumbi.
Cacetadas, tiros de borracha, cavalos, cachorros em cima das torcidas.
Um horror.
Torcedores dos dois lados foram carregados em macas sangrando para o ambulatório do estádio.
Faltam cinco anos para a Copa do Mundo no Brasil.
(Em tempo: torcedores dos dois lados garantiram que bombas caseiras foram atiradas por são-paulinos no final da partida. Mas o promotor público Paulo Castilho jurava que os feridos vieram apenas do confronto entre policiais e corintianos. E revelava que vai lutar para que apenas 5% dos ingressos passem a ser reservados ao time visitante nos próximos clássicos. E se alegrava porque não houve feridos nas estações de trens e metrôs.
Aliados de Andres Sanches passaram a noite inteira o convencendo a pedir a interdição do Morumbi. A pressão era fortíssima para que ele pedisse a interdição alegando falta de segurança dos torcedores adversários do São Paulo.)
Por Cosme Rímoli às 19h16
Palmas para a Federação Carioca de Futebol.
Juniores de Flamengo e Botafogo estão jogando no Maracanã como preliminar do clássico entre os profissionais.
O detalhe para envergonhar qualquer um. A partida dos meninos começou com os portões fechados. Ninguém está vendo. Ridículo.
Por Cosme Rímoli às 13h43
Reunião na quinta-feira passada. De um lado a diretoria do Palmeiras e do outro a cúpula da Traffic. Motivo? Keirrison. O empresário Jota Hawilla conversou longamente com o vice-presidente Gilberto Cipullo. Ele estava assombrado com o desempenho do jovem jogador no clube paulista. De acordo com Hawilla não só não se intimidou como mostrou um potencial "absurdo".
Tanto que empresários representando Liverpool, Bayern de Munique, Atletico de Madrid, Roma e Lyon já sondaram o jogador. O técnico Vanderlei Luxemburgo afirmou ter descoberto a solução e a apresentou a Hawilla. Ele propôs um plano simples mas que acredita ser efetivo.
"O Vanderlei falou em criar um projeto Keirrison. O plano é transformá-lo no maior jogador do Brasil. Potencial para isso ele tem. Nós vamos trabalhar ao máximo a sua imagem. E ter um grande lucro com isso. Nós sabemos que teremos propostas de 10, 15 milhões de euros na janela de agosto. O Vanderlei propôs ao Hawilla e nós concordamos. Em vez de vender esse ano o Keirrison, vamos segurá-lo até o ano que vem. Ele jogando o que sabe iremos conseguir 30, 35 milhões de euros. É bom para todo mundo", revelou Cipullo ao blog.
Keirrison está encantado com o tratamento que está recebendo no Palmeiras. Vanderlei Luxemburgo já teve uma longa conversa com ele. E o jovem atacante se mostra muito interessado em ficar pelo menos até o agosto de 2010. E se firmar como o melhor jogador do Brasil. Ele tem 20 anos e seu contrato vai até 2013.
Valeria tudo para valorizá-lo: camisetas, filmes de publicidade, bonecos. Explorar a marca K9. Ninguém esconde a inspiração no que é feito com Ronaldo no Corinthians.
A Traffic possui 80% dos seus direitos federativos. O Palmeiras apenas 20%. A decisão de vender ou não o jogador será sempre da empresa por ter pago mais. Esse é o acordo.
Por Cosme Rímoli às 12h52
Muito interessante o primeiro encontro entre o volante Fernando e a direção da Portuguesa. A primeira declaração do jogador ao presidente Manoel da Lupa deixou claro que, no seu caso, a
família está em último lugar.
"Presidente: eu não tenho nada a ver com o meu irmão. Eu sou bem diferente. O senhor pode ficar tranqüilo."
A reação provocou risos e uma grande dose de alívio. Fernando é irmão mais novo de Carlos Alberto que agora está no Vasco.
Fernando tem 22 anos e sempre viveu à sombra do irmão. Também surgiu no Fluminense. Foi para o São Paulo e não se firmou. De lá, acabou indo para o Goiás. Também ficou na reserva.
Ao contrário do polêmico Carlos Alberto, Fernando é comportado até demais. Foge das baladas. A timidez chega a atrapalhar a sua personalidade. O irmão já pediu inúmeras vezes para ele se impor, reclamar, discutir mais. Só que não adianta.
As personalidades são totalmente diferentes. Assim como o futebol.
Por Cosme Rímoli às 12h11
Trabalhou, com orgulho, por 22 anos no Jornal da Tarde.Cobriu as últimas quatro Copas do Mundo, cinco Eliminatórias para a Copa, quatro Copas América e dezenas de finais entre Libertadores, Brasileiros e Campeonatos Paulistas.
Cosme Rímoli aborda os bastidores do futebol, entrevista personagens significativos e analisa o que ocorre dentro e fora dos gramados.