Dorival Júnior.
Hoje para o futebol brasileiro ele é muito mais do que o sobrinho do grande Dudu.
O volante de quando o Palmeiras merecia ser chamado de Academia de Futebol.
Recusou 12 convites de outros clubes enquanto estava trabalhando no Coritiba.
Escolheu o Vasco.
Em um dos momentos mais conturbardos da sua história.
Com a saída daquele que parecia eterno, Eurico Miranda.
Para a entrada daquele que parecia a esperança, Roberto Dinamite.
Dorival Júnior aceitou o convite com o time na Série B.
Achou que o mais difícil seria montar um time com o pouco dinheiro disponível.
Mas o articulador da campanha de Dinaminte, José Henrique Coelho, largou o cargo de vice presidente de marketing.
Saiu e fez várias acusações.
Atirou para todos os lados e expôs os salários de Dorival Júnior, R$ 280 mil mensais.
Inúmeros conselheiros se revoltaram com o alto investimento com o treinador.
O Vasco está atolado em dívidas: mais de R$ 100 milhões.
E ainda tinha mais.
Por um problema burocrático, a inscrição teoricamente irregular do jogador Jeferson, o time não disputa a semifinal da Taça Guanabara.
O Vasco não recorre, não tenta parar o Campeonato Carioca.
Tem seus motivos.
Pediu e recebeu empréstimos, antecipações importantes para a vida do clube.
A vida segue.
De maneira mais digna possível, Dorival Júnior tenta fazer do Vasco o time que sonhou.
Dorival: você está com salário atrasado, cercado de tanta confusão, por que recusou convite do Santos e continua no Vasco?
Eu tive mesmo o convite para trabalhar no Santos antes do Mancini aceitar. Não quis porque eu sou uma pessoa que honra os seus compromissos. Eu não sou um aventureiro que só pensa em dinheiro. No ano passado eu estava no Coritiba e recusei 12 convites para ganhar mais. Sei que as coisas estão pesadas, confusas. Mas prefiro acreditar na diretoria do Vasco, no nosso planejamento. Vou seguir o meu plano de trabalho. Trato o Vasco com o respeito e a dignidade que ele merece.
Mas como você pode tratar o clube com dignidade, exigir dos jogadores se os salários estão atrasados?
Quando assumi, eu só pedi uma coisa. Uma só: que os salários não atrasassem. E, infelizmente, por três meses os salários estão atrasando. Os reflexos desses atrasos são óbvios, claros. Atrapalham os jogadores. Eu tive uma conversa séria com os dirigentes e eles me garantiram que isso vai acabar. Prefiro acreditar neles e trabalhar ainda mais sério. Parar de trabalhar e abandonar o projeto seria a pior coisa a fazer. Prefiro acreditar no poder de superação do Vasco. Não quero sair daqui sem fazer o que me propus a fazer : disputar para ganhar o Campeonato Carioca e tirar o clube da Série B. Sei que as coisas estão difíceis. Prefiro acreditar que seja uma fase. Conversei com os jogadores e eles confiaram em mim.
Qual o verdadeiro potencial do Vasco? O time acaba de golear por 4 a 1 o Botafogo, campeão da Taça Guanabara.
Montei uma equipe competitiva. Com jogadores que pretendem melhorar suas carreiras, brigar por algo melhor. O time tem atletas que perceberam que estão vivendo um momento histórico no Vasco da Gama. Não foram eles que acabaram rebaixados. Mas podem ser aqueles que serão sempre lembrados por levar de volta um clube tão importante para a Série A. Precisamos e vamos contratar algumas peças para o Brasileiro. Mas a base já está montada. E é forte, competitiva. O nosso trabalho em campo está dando certo. Em campo ninguém pode falar nada.
Qual a importância do Carlos Alberto em todo esse processo?
Vou ser bem sincero com você. Eu chamei o Carlos Alberto para uma conversa franca. Eu fui jogador. Não tive o potencial dele, mas joguei por grandes clubes, tive uma carreira firme, da qual eu me orgulho. Perguntei o que ele queria da vida. Falei que ele tem um futebol de altíssimo nível e que estava jogando fora. Disse ao Carlos Alberto que, com 24 anos, ele ainda pode dar uma reviravolta de vez e voltar a ser o jogador importante, de nível internacional que nasceu para ser. E que eu precisava dele comprometido com o Vasco. Se não fosse assim, não me serviria. Fui franco, olhando nos olhos. Falei como gostava de ouvir quando era jogador. O Carlos Alberto entendeu que já perdeu muito tempo no futebol e está me dando a melhor resposta possível. Hoje eu confio nele. Ele assumiu sua importância para o time, para o clube. A sua passagem pelo Vasco da Gama pode resgatar a sua carreira.
Doeu muito ficar de fora da Taça Guanabara por um erro burocrático? Dentro de campo, o time tinha pontos sobrando...
Aconteceu. Eu prefiro ver o lado positivo da questão. Como foi colocado, dentro de campo, o time rendeu. Aconteceu, passou. O importante agora é manter a concentração e buscar com todas as forças ganhar a Taça Rio e brigar para ser campeão carioca. A vitória contra o Botafogo foi importante para nós mesmos. Mostramos de novo que, apesar de tudo que aconteceu, não perdemos o foco. Foi duro ficar de fora por causa da inscrição de um jogador. Por um problema burocrático. Mas vamos mostrar de novo o nosso poder de superação.
Como é que você se sentiu tendo o seu salário divulgado pelo ex-presidente de marketing?Ele fez isso para desestabilizar o futebol do clube...
Eu me senti profundamente desrespeitado. Foi uma atitude deselegante. Fui usado para atingir a diretoria. Salário é uma coisa que só diz respeito ao profissional. Muitas pessoas ficaram julgando. Só posso dizer que eu tive várias propostas e até mais altas quando saí do Coritiba. Fiquei no Vasco por acreditar no projeto que montei. Será bom para o clube e ótimo para mim. Apesar de várias coisas desagradáveis que aconteceram, não vou mudar o meu foco. Estou trabalhando ainda mais, com mais vontade. E tenho uma certeza: o torcedor voltará a ter orgulho de ser vascaíno.
(Dorival Júnior não quis confirmar por lealdade à diretoria. Não recebe salários há dois meses.)
Por Cosme Rímoli às 11h15
Lógico que a Nike não iria deixar passar a oportunidade do retorno de Ronaldo.
E produziu a sua primeira propaganda sobre a volta do jogador ao futebol pelo Corinthians.
Ao que mais gosta de fazer: marcar gols.
A campanha é da F/Nazca, com direção de Fábio Fernandes. E tem uma idéia original.
Compara a sensação que o atacante ficou se recuperando, contundido, longe dos gramados, a um animal enjaulado.
Com apenas a voz de Ronaldo, o jogador indaga:
"Imagina ficar 419 dias (entra imagem de um cavalo preso)
duas horas, 23 minutos (surge um touro no curral)
e nove segundos sem fazer o que você mais gosta? (aparecem um gorila, um leão e um doberman presos)
Sem fazer gol!
(silêncio...)
É assim que eu estava."
Quando ele termina de falar, surge em primeiro plano o seu rosto. O fundo é preto (em uma alusão ao Corinthians).
Aí aparecem a frase e tema da campanha milionária da Nike:
"Ele voltou!"
E o barulho da porta de uma jaula sendo escancarada.
A campanha, que foi gravada em São Paulo, será veiculada primeiro no Brasil.
Entrará na tevê aberta no domingo.
Apostou quem pensou TV Globo...
O blog antecipa aqui a propaganda com exclusividade! Assista...
Por Interação às 15h46

Sport Recife e Palmeiras já estão em pé de guerra.
E o primeiro golpe foi pernambucano.
Pelo menos na sede da Conmebol.
Chegou na entidade sul-americana o ofício enviado pela equipe nordestina exigindo um árbitro estrangeiro para a partida do dia 8 de abril.
Como prometia a diretoria do Sport, a alegação foi forte, uma acusação.
A de que o técnico Vanderlei Luxemburgo contrata importantes juízes brasileiros para palestras bem pagas no seu instituto de futebol.
De acordo com os pernambucanos, o técnico banca de R$ 4 mil a R$ 5 mil por palestras no IWL.
E que isso colocaria sob suspeita toda a arbitragem nacional.
O Palmeiras se defende alegando que as palestras foram dadas apenas por alguns árbitros e que não se pode punir todos.
No clube paulista se acredita que a diretoria do Sport quer um juiz não brasileiro por, teoricamente, permitir uma partida mais pegada, com mais faltas duras.
Essa seria uma vantagem para o time de Nelsinho Baptista, mais experiente e menos técnico que o Palmeiras.
A situação que já estava tensa, ficou pior com a vitória de ontem do Colo Colo diante da LDU.
As chances palmeirenses de classificação diminuíram.
Vencer em Pernambuco virou mais do que obrigação.
Os dirigentes nordestinos estão esperançosos.
Lembram que os dirigentes gremistas brigaram pela mesma coisa em 2007 contra o Santos, na época, dirigido pelo mesmo Luxemburgo.
E que eles conseguiram escalar o paraguaio Carlos Torres.
O time gaúcho passou pelos santistas e chegou à final da Libertadores.
Mesmo que seja designado um juiz brasileiro, o Sport Recife já é considerado vencedor nos bastidores.
A pressão sobre ele seria enorme para provar que o alto cache das palestras no IWL não o interessam.
A desconfiança já está no ar.
(Em tempo. O assessor de imprensa e do treinador Vanderlei Luxemburgo, Luís Lombardi se manifestou. Ao ler o post, ele telefonou e fez o seu depoimento.
"No instituto, os convidados não recebem dinheiro algum. O instituto não serve para fazer lobby. Só levamos ex-árbitros, não árbitros. O que está sendo divulgado em Pernambuco não é verdade. Faz parte dos bastidores da Libertadores.")
Por Cosme Rímoli às 09h27

Enquanto a direção do Corinthians se prepara para anunciar o maior patrocínio de camisas do Brasil, o futebol feminino foi extinto.
Ou melhor, repassado para o São Caetano, que é quase a mesma coisa.
A promessa de fazer a Seleção Brasileira colocar a camisa preta e branca, inclusive, com Marta, se mostrou um factóide.
Assim como quando dirigentes espalhavam no Parque São Jorge que Michael Phelps viria disputar o Troféu Brasil de Natação pelo Corinthians.
Se na natação foi uma piada, no futebol feminino, a realidade foi dura, sofrida.
"Vou explicar tudo o que aconteceu. Nós só perdemos dinheiro com as meninas e elas fracassaram.
Demos tudo do bom e do melhor. Viajaram no ônibus do futebol profissional, jogaram no Pacaembu.
Montamos uma estrutura que consumia R$ 100 mil mensais. E não tivemos retorno algum. As meninas não mostraram garra.
O nosso time era o mais caro e acabou no vergonhoso quarto lugar do Campeonato Paulista.
Dispensamos as meninas, passamos a camisa para o São Caetano. E damos R$ 10 mil de apoio por mês. Está ótimo.
Futebol feminino no Brasil é perda de tempo, de dinheiro. As pessoas não querem ver.
Por que você acha que os times grandes não estão no futebol feminino?"
A explicação, misturada com desabafo, é do diretor de esportes amador do Corinthians, o desembargador Miguel Marques e Silva.
"Eu mesmo tinha falado com a Marta. E ela quase veio. Mas contratei a Cristiane, a Juliana Cabral. Só que o time não andou.
A Cristiane recebia R$ 10 mil, mas tinha contrato com um time dos Estados Unidos.
A Juliana Cabral, além de não jogar bem, estava falando mal da diretoria para as outras jogadoras.
Eu peguei, eu ouvi. Ninguém tinha comprometimento.
As meninas não tiveram a garra do time de juniores masculino que foi campeão da Copa São Paulo.
Elas não entenderam o que significa jogar pelo Corinthians.
Então, o melhor repassar tudo para o São Caetano.
Acabou o prejuízo, acabou a dor de cabeça.
Eu soube que formaram um time lá onde o salário é, de no máximo, R$ 500,00.
Está ótimo. Futebo feminino no Brasil não dá...", afirma, sincero, Miguel Marques.
Por Cosme Rímoli às 21h19

Fome. Esgoto a céu aberto. Falta de luz elétrica. Guerra civil. Campos de refugiados.
O que pode aliviar por uns momentos a dor de quem vive no miserável Sudão?
O futebol.
Em meio à tanta tristeza, o treinador Heron Ferreira foi virando um mito.
Ganhou os três campeonatos nacionais dirigindo o Al Hilal, que é uma mistura de Flamengo e Corinthians de lá.
Mais de 60% da população torce pela equipe.
Depois de três anos e meio, Heron trocou de time e de país. Está no Egito.
Treina o Ismaily que faz boa campanha, em terceiro no Campeonato Nacional.
E mostrou hoje ao blog alguns milagres que o futebol espalha pelo mundo.
Heron: vamos falar do Sudão. Como é ser treinador de futebol em um país massacrado pela Guerra Civil?
O Sudão tem um miolo, um pequeno grupo de pessoas que são muito ricas e que sustentam o futebol. Por incrível que possa parecer, eu fiz parte da minha independência financeira lá. Estava no clube mais popular, mais rico. Alguns jogadores chegam a receber 200 mil dólares por ano. Mas essa situação faz parte de um contraste terrível com o restante da população que vive em extrema miséria. E essa diferença tem explicação. O sofrimento do Sudão é tão imenso, tão intenso, que só o futebol é capaz de alivar. Você não imagina o que é ver alguém caído na rua, cadavérico, morrendo de fome. Crianças sem ter o que comer ou água potável para beber. Eu vi tanto sofrimento que me tornei mais religioso. Hoje agradeço a possibilidade que tenho de tomar um copo de água a hora que eu quiser. Somos muito privilegiados e não nos damos conta.
O que você viu da Guerra Civil?
Nós éramos poupados dos confrontos que acontecia do outro lado do país. Mas tínhamos de viajar e era o Exército que nos protegia. Dormíamos em quartéis ou em casas que os militares requisitavam das pessoas. A coisa mais comum era acordar e ver soldados, ainda meninos, dormindo nas calçadas usando metralhadoras como travesseiros. É impressionante, triste, brutal, violento. O sofrimento, o medo pairava no ar. É uma tristeza o que o ser humano pode fazer com o outro ser humano.
Você lembra do jogo mais marcante?
Fomos jogar em Juba. O campo tinha apenas uma arquibancanda de madeira caindo aos pedaços. Acho que cabia umas trezentas pessoas. Chegaram mais de cinco mil pessoas. A solução foi todo mundo sentar em volta do campo. Os dois times jogaram com aquelas pessoas famintas mas felizes acompanhando o jogo sentadas. Elas esqueciam da guerra, da fome. Isso nunca vai sair da minha cabeça. Foi maravilhoso constatar o poder que o futebol tem. Vendo aquela cena foi possível entender porque os grandes ídolos do futebol encantam as pessoas.
Como você era tratado por lá?
Como o Romário no auge. Uma multidão me seguia para onde ia. Parava shoppings, pessoas faziam fila por autógrafo ou fotos comigo. Shoppings existem na parte nobre do Sudão. As pessoas gritavam meu nome no estádio. Fui muito feliz. Fui considerado três vezes o melhor treinador do Sudão. Meu time foi três vezes campeão nacional. Por causa da facilidade da pronúncia, os torcedores me chamavam de Ricardo. Cantavam o hino do time durante as partidas e gritavam em coro o meu nome. Foi tudo ótimo.
E a hora de comer com os jogadores?
Era uma loucura. Eu sofri muito no começo. Porque nessa viagens, não tinha luxo. A comida para o time era servida em enormes bandeijas. Vinha arroz e carneiro assado em peças inteiras. Todos avançavam e comiam com a mão direita. Pegavam um bolinho de arroz e misturavam com a carne. Nos primeiros meses passei fome, comia bolacha e só. Mas com o passar do tempo fui me acostumando e quando chegava a hora das refeições eu era um dos primeiros a meter a mão na comida. Para sobreviver o ser humano se adapta a tudo que for necessário.
Como você foi parar lá e por que saiu?
Eu fui indicado por um empresário. Já tinha trabalhado na Arábia Saudita. Eu estava cansado da instabilidade profissional do Brasil. Aí se troca de técnico sem critério. Não se respeita planejamento. Fiquei no Sudão até achar que era melhor para a minha carreira aceitar trabalhar no Egito. Agora consegui a minha estabilidade financeira. Vou poder trabalhar aqui na África ou mesmo voltar ao Brasil sabendo que o dinheiro ficará em segundo plano na minha escolha. Acabou a dependência financeira do emprego. Tenho certeza que melhorei tanto como treinador como pessoa por tudo que já passei, que já vi.
Você vê alguma semelhança no jogador africano e no brasileiro?
Muita. A história de vida é igual. Para sair da miséria, o menino fica fazendo o máximo para virar jogador de futebol. Quando consegue, tem um sonho: jogar na Europa. O futebol é a saída para muitas famílias que vivem na miséria. A família é capaz de ficar passando graves necessidades para que o menino possa ser jogador de futebol. E as necessidades na África são terríveis. É uma realidade triste, dura.
Mesmo assim, você acredita que a Copa do Mundo na África será um sucesso?
Sim. Porque o miolo, a elite da África, ainda mais na África do Sul tem muito dinheiro. E as seleções africanas estão se preparando como nunca para essa Copa. Vão chegar bem. Há equipes fortes que vão surpreender. O futebol daqui evoluiu muito. Há influência grande da Europa, da Inglaterra. Estão juntando força com a habilidade nata dos africanos.
E o seu futuro?
Sinceramente? Eu tenho uma dez propostas de equipes e duas sondagens de seleções da África. Não sei se aceito, vou para a Europa onde posso dirigir algumas equipes médias ou volto ao Brasil. Não sei. Estou indeciso. Eu quero fazer o que for melhor para a minha carreira. Mas de uma coisa eu tenho certeza: a África já marcou a minha vida. Sou outro homem depois de ver todo o sofrimento que eu vi. E nem imaginava que existia no mundo. Mas aprendi a amar e dar mais valor a esse milagre chamado futebol.
Por Cosme Rímoli às 19h37

Nada como um dia após o outro.
O presidente Ricardo Teixeira ficou revoltado com o comportamento de Ronaldo na Copa de 2006.
E ele não queria mais a sua convocação, como comprovam amigos íntimos do dirigente.
Ronaldo não reclamou, não falou de Seleção. Se comportou como fosse página virada.
Até que veio o Corinthians e tudo mudou. Certo?
Não!
Existe sempre dinheiro movimentando a roda do futebol.
Um grupo de investidores sauditas é dono da TV Riad ART.
Esses investidores fecharam em 2008 um contrato de três anos para organizar os amistosos da Seleção Brasileira.
Na época, a CBF considerou um grande negócio. US$ 1,5 milhão por partidas. Tudo limpo.
Os demais gastos, como hotel e viagem ficam por conta URT.
Só que a entidade brasileira percebeu que os sauditas estão conseguindo grande lucro.
Qual a maneira para pedir mais dinheiro com a Seleção já que o contrato está assinado?
Ter Ronaldo.
A marca Fenômemo ainda é tão forte que se torna um argumento capaz de possibilitar uma renegociação.
Aos 32 anos, Ronaldo também pensa nos seus patrocinadores.
Ele sempre ganhou bônus por atuar na Seleção. Por cláusula nos contratos.
Ou seja: além da vontade de todos de ver Ronaldo de novo com a camisa amarela, o retorno significaria muito mais dinheiro a todos.
Por Cosme Rímoli às 12h29
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Uma mudança que fez toda a diferença na vida de Ronaldo em São Paulo.
A diretoria corintiana está aliviada.
Tem a certeza de que poderá de agora, em diante, se preocupar com ele apenas no campo.
Chegaram dois 'reforços' significativos que 'trabalharão' 24 horas a favor do Corinthians.
A mulher Bia e a filha Maria Sofia estão morando com Ronaldo.
Ele já está muito mais calmo, sossegado.
Foi assim na concentração para a partida contra o São Caetano.
Após a partida de ontem e, do seu segundo gol pelo Corinthians, ele queria voltar o mais rápido para casa.
Casa, mesmo...
Para alívio da diretoria.
Quando Maria Sofia, que ainda é bebê, crescer um pouco, Ronaldo reviverá uma cena que ainda emociona os corintianos.
Assim como Carlitos Teves fazia com Florencia, ele entrará com a filha nos jogos do Corinthians.
Mais família, impossível.
Bom para o Corinthians, para os patrocinadores e, principalmente, bom para o próprio Ronaldo.
Por Cosme Rímoli às 05h38

Não acabou nada bem, o polêmico episódio da série Troca de Famílias envolvendo torcedores rivais de futebol.
A idéia: colocar uma mãe palmeirense para conviver em uma família corintiana. E uma mãe corintiana com familiares palmeirenses.
Brincaram com fogo.
Sobrou para o marido da corintiana, o presidente da Gaviões da Fiel, Herbert Cesar Ferreira.
A mãe palmeirense, Lindalva da Silva, casada com um dos fundadores da Mancha Verde, resolveu visitar a quadra da Gaviões da Fiel.
A quadra estava lotada de corintianos que se divertiam.
Existe uma placa que proíbe a entrada de qualquer pessoa vestindo verde.
Lindalva não quis saber, se vestiu inteira com as cores do Palmeiras.
Só não foi barrada porque estava acompanhada do presidente Herbert.
Mas foi hostilizada, xingada, ameaçada.
De acordo com a produção da TV Record foram atiradas latas de cerveja em Lindalva.
Com muito medo, ela não conseguiu ficar na quadra.
Temendo ser espancada, saiu o mais rápido possível.
Só que a situação se voltou contra Herbert.
A diretoria da Gaviões achou um desrespeito o presidente levar uma palmeirense vestida de verde para a sede da torcida.
Herbert foi pressionado. Muitos diretores da Gaviões querem a sua demissão.
O que era para mostrar que a convivência entre os diferentes é possível, beira hoje o insuportável para ele.
Herbert teve de escrever uma carta pedindo desculpas a todos os membros da Gaviões.
Aqui a nota oficial. Na íntegra.
MEU NOME É HERBERT CESAR FERREIRA , ENTREI NOS GAVIOES EM 16/09/86 MINHA CAMINHADA AQUI SEMPRE FOI E SERA DE TOTAL AMOR AO CORINTHIANS .
FUI DO DEPARTAMENTO DE BANDEIRAS DE 1987 A 1989 ATÉ MEADOS DE 1990, FUI A TODOS OS JOGOS DO BRASILEIRÃO DE 90 ONDE O NOSSO CORINGÃO SAGROU-SE CAMPEÃO BRASILEIRO PELA PRIMEIRA VEZ..
TIVE A SORTE DE PODER CONHECER PESSOAS COMO O FUNDADOR FLAVIO LA SELVA, TIVE A SORTE DE TER COMO AMIGO O NOSSO ESPELHO “O JOGADOR”, TIVE O PRAZER DE PODER CONVIVER COM O EDMAR BERNARDES QUE FOI UM GRANDE AMIGO E LIDER DA NOSSA TORCIDA.
VIVI INTENSAMENTE MEUS 22 ANOS DE GAVIOES , PARTICIPANDO ATIVAMENTE DE TUDO QUE VCS POSSAM IMAGINAR , DESDE FESTAS MARAVILHOSAS NAS ARQUIBANCADAS DO BRASIL COMO TAMBEM EM SITUAÇÕES EM QUE TIVE QUE DEFENDER NOSSA BANDEIRA COM UNHAS E DENTES LITERALMENTE.
EU COMO PRESIDENTE DA TORCIDA VENDO E SENTINDO NA PELE O PRECONCEITO QUE SOFREMOS E A VONTADE DAS AUTORIDADES DE ACABAR COM AS TORCIDAS, QUERIA MOSTRAR QUE NÓS DOS GAVIÕES DA FIEL TORCIDA NÃO SOMOS O QUE A IMPRENSSA ESCRITA FALADA E TELEVISIONADA PASSA DE NÓS. AQUI SOMOS FAMILIA, ENTREI COMO O PRESIDENTE DOS GAVIOES, MAS TBM ENTREI COMO PAI , TENHO 3 FILHOS QUE TAMBEM AMAM E VIVEM O MUNDO CORINTHIANS E GAVIOES.
MINHA INTENÇÃO É MOSTRAR A TODOS, OS NOSSOS TRABALHOS SOCIAIS, ESCOLINHA DE XADREZ, ESCOLINHA DE BATERIA, INCLSUSÃO DIGITAL ONDE TIVEMOS A CHANCE DE DAR OPORTUNIDADE A MAIS DE 20 CRIANÇAS CARENTES A TER PELO MENOS UM CAMINHO A TENTAR SEGUIR, MOSTRAR QUE NÃO SOMOS IRRACIONAIS , MOSTRAR PARA DETERMINADOS JORNALISTAS QUE TEM O PODER DE SE PREVALECER DO MICROFONE NA MÃO E SAIR FALANDO UM MONTE DE ASNEIRA DE NOSSA TORCIDA ,SOMOS PAIS DE FAMILIAS , TEMOS MÃES , PAIS FILHOS E NÃO SOMOS UM BANDO DE DESOCUPADOS QUE SÓ PENSAM EM BRIGAS
NA MINHA GESTÃO FORAM VARIAS AS AÇÕES QUE AJUDAM DEZENAS DE SOCIOS E PESSOAS CARENTES , DISTRIBUIMOS CESTAS BASICAS, ROUPAS, MAIS DE 300 MIL PEÇAS DE AGASALHOS NA NOSSA TRADICIONAL CAMPANHA DO AGASALHO, ENFIM , PROCUREI TRABALHAR COM HONESTIDADE E SERIEDADE SEMPRE PRESERVANDO NOSSO BEM MAIOR” O CORINTHIANS”, ACOMPANHEI TODO O PROCESSO DO PROJETO BANDEIRÃO 4 ( PACAEMBU NOVO ) DEIXANDO CLARO QUE DESDE 1994 NÃO FAZIAMOS UM BANDEIRÃO, ENFIM, FOI FEITO ESSE BANDEIRÃO NOVO PACAEMBU, FIZEMOS MAIS UM BANDEIRÃO PARA O NOSSO GRANDE IDOLO AIRTON SENNA, REFORMAMOS O BANDEIRÃO 2 E CONFECCIONAMOS MAIS DE 20 BANDEIRAS DE BAMBU. O PROJETO BANDEIRÃO 5 , PROJETO ESSE QUE TODOS VCS COLABORARAM ESTA EM FASE DE COSTURA.
DURANTE ESSES 1 ANO E 7 MESES DE GESTÃO, ESSES FORAM ALGUNS TRABALHOS QUE CONSEGUIMOS REALIZAR, MESMO PASSANDO POR UM PROBLEMA POLITICO JAMAIS VISTO NA HISTÓRIA DA NOSSA TORCIDA, POREM SEMPRE RESPEITADO ASSUMINOS A DIRETORIA DOS GAVIOES SEM MEDO, COM VONTADE E DETERMINAÇÃO CONSEGUIMOS INCLUSIVE REGULARIZAR PROBLEMAS COMO AGUA E LUZ QUE HA ANOS ESTAVAM IRREGULARES NA NOSSA CASA .
PEÇO DESCULPAS EM NOME DO SER HUMANO HERBERT POR TER CAUSADO TRANSTORNOS PARA NOSSA ENTIDADE QUE AMO E RESPEITO, , MINHA INTENÇÃO É DIVULGAR PARA O MUNDO O QUE TEMOS DE BOM E DIFERENTE A OFERECER A NOSSA SOCIEDADE E AO NOSSO GLORIOSO CORINTHIANS.
COMO PRESIDENTE DA TORCIDA, PEÇO DESCULPAS A TODOS OS ASSOCIADOS E CORINTHIANOS PRESENTES NO ENSAIO DE SEXTA FEIRA PASSADA ( 21/11/2008 ), EM RELAÇÃO A ELA TER ENTRADO FARDADA NA QUADRA , ESSE NÃO FOI O MEU MAIOR ERRO, O MAIOR ERRO FOI NÃO TER ABERTO UM DEBATE MAIS AMPLO SOBRE ELA ENTRAR OU NÃO FARDADA NA SEDE.
UM ERRO NÃO JUSTIFICA OUTRO, MAS VALE LEMBRAR QUE EM OUTRAS OCASIÕES TORCIDAS DE OUTROS TIMES JÁ ENTRARAM FARDADOS NA QUADRA SEJA EM FESTAS, CONFRATERNIZAÇÕES, TAL COMO EM MEADOS DE 1987/88 A INDEPENDENTE PARTICIPOU DE UM JOGO NA QUADRA DOS GAVIOES COM FAIXAS, BANDEIRAS E INSTRUMENTOS.
VALE LEMBRAR TBM QUE A TORCIDA JOVEM DO SANTOS TBM JÁ JOGOU FUTEBOL EM NOSSO CAMPO COM FAIXAS E BANDEIRAS E SEMPRE VIERAM EM NOSSAS FESTAS DE ANIVERSARIO DEVIDAMENTE FARDADOS.
JÁ ACONTECERAM INUMERAS REUNIÕES PARA DISCUTIR TORCIDA ORGANIZADA ONDE NOSSOS RIVAIS ESTIVERAM TODOS PRESENTES DEVIDAMENTE FARDADOS.
VALE LEMBRAR TBM QUE HOUVE A TROCA DE PAVILHÕES FEITA COM A MANCHA NO DESFILE DAS CAMPEAS NO CARNAVAL 2007 E EM 2003 TBM.
TOMEI A DECISÃO DE PARTICIPAR DESSE PROGRAMA COM UM ÚNICO OBJETIVO : MOSTRAR PARA O BRASIL E O MUNDO QUE NOS SOMOS OS GAVIOES.
NÃO ENTREI NO PROGRAMA POR QUESTÕES FINANCEIRAS , REPITO, MINHA INTENÇÃO É MOSTRAR A IMPORTANCIA DOS GAVIOES DA FIEL TORCIDA PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA.
O DINHEIRO OFERECIDO PELO PROGRAMA NÃO VAI MUDAR MINHA VIDA EM NADA, TOMEI A DECISÃO DE DOAR A QUANTIA A ALGUMAS INSTITUIÇÕES DE CARIDADES QUE NECESSITAM MUITO MAIS DO QUE EU. DEIXO O ESPAÇO ABERTO PARA SUGESTÕES DE INSTITUIÇÕES.
DEIXO REGISTRADO AQUI, QUE FUI ELEITO PRESIDENTE DOS GAVIOES DA FIEL TORCIDA EM ABRIL DE 2007 ATRAVÉS DO VOTO DIRETO DO ASSOCIADO NUM PROCESSO CLARO DE DEMOCRACIA.
JAMAIS PASSOU PELA MINHA CABEÇA RENUNCIAR A ESSA MISSÃO QUE PERSEGUI COM MUITA DETERMINAÇÃO DURANTE ESSES 22 ANOS DE GAVIOES QUE TENHO.
NÃO VOU RENUNCIAR AO CARGO PQ NÃO ROUBEI OS GAVIÕES DA FIEL E NÃO CAGUETEI NINGUÉM. PEÇO DESCULPAS.
Sem Mais,
Presidente dos Gaviões da Fiel Torcida
Helbert César Ferreira
Obs : Qualquer critica ou duvida, estou na sede da torcida todos os dias e estarei recebendo a todos
Depois do mal estar, a TV Record vai mostrar amanhã, quinta-feira, o fim da fracassada tentativa de boa convivência entre os torcedores.
No encontro final, as famílias irão usar camisetas brancas com pombas simbolizando a paz.
Mas a situação de Herbert na Gaviões ainda está complicada.
Muitos conselheiros da torcida insistem na sua renúncia.
A intolerância para a Record significou audiência.
O primeiro programa exibido ontem deu 15 pontos de média. Com picos de 20 pontos.
O capítulo final de hoje deverá dar ainda mais Ibope.
Ótimo para a Record.
Por Cosme Rímoli às 20h53
O controverso Celso Roth.
Da Colômbia, véspera da partida de logo mais contra o Chicó pela Libertadores. Partida que deve decidir a sua vida no Grêmio ele desabafa.
Se sente perseguido, incompreendido, injustiçado.
Deixa escapar toda a tensão que cerca um treinador ameaçado de demissão no dia seguinte.
E faz uma promessa: "Eu não peço demissão. Só saio se for mandado embora. Eu tenho um projeto e acredito nele."
Celso Roth: você será demitido se não vencer o Chicó aí na Colômbia?
Não sei. É o que dizem aí no Brasil. Mas eu estou interessado em trabalhar, em dar força e tranquilidade aos meus jogadores. Podem dizer o que quiser. O Grêmio vai entrar em campo para ganhar. O que acontecer depois não é comigo. Minha missão é fazer o melhor pelo Grêmio e é isso que estou fazendo.
Por que tanta gente no Rio Grande do Sul quer a sua demissão? Qual o pecado que você cometeu?
Ñão sei. Só sei que não privilegio ninguém da imprensa. Sou um homem correto e que trabalha honestamente. Não fico fico dando sorrisos mesmo, não faço marketing. Sou técnico de futebol. Meu compromisso é com o clube, com os meus jogadores. Mas reconheço que há uma má vontade em relação ao meu trabalho há muito tempo. Todos os dias falam que eu serei demitido. São todos os dias. É uma campanha massacrante. Como na estréia do Grêmio contra o Universidad do Chile. Perdemos uns 15 gols e a partida acabou 0 a 0. Fui atacado como se o time não tivesse jogado nada. Tem sido sempre assim. Desde que eu assumi. A imprensa de Porto Alegre deve saber porque o alvo sou eu. Só quero avisar que não vou mudar, sou assim mesmo. Minha cara é fechada. Não fico dando risadinha mesmo.
Será que conta o fato de você não ter uma grande conquista no seu currículo?
Ah...A charada está morta. Tenho certeza que isso conta muito. Meus trabalhos são cada vez mais consistentes, mas falta realmente um título. Confio no que faço e sei que ele chegará. Sinto que a pressão é grande, mas estou com o meu grupo. Me demitem há um ano e um mês. Tenho força para enfrentar essa campanha contra mim.
A campanha no Campeonato Gaúcho não é a grande desculpa para abalar seu trabalho?
Como é que podem chamar de fraca uma campanha no Gaúcho quando o meu time foi o segundo colocado perdendo a decisão? Segundo lugar é fraco? O que acontece é que muitos jornalistas não percebem o que está acontecendo pelo Brasil. O São Paulo não perdeu para o lanterna do Campeonato Paulista, o Mogi Mirim? O Palmeiras do Vanderlei Luxemburgo não perdeu as duas primeiras partidas da Libertadores? Ninguém percebe o quanto é difícil disputar o regional e a Libertadores? Fizemos cinco partidas em uma semana. Ninguém vê isso? Sou eu quem tem de ficar falando?
Existe a possibilidade de você pedir demissão? A imprensa gaúcha não para de falar em Renato Gaúcho e Nei Franco, treinador do Botafogo, para substituí-lo.
Não vou pedir demissão de jeito nenhum. Estou fechado com o meu grupo de jogadores. Não vou virar as costas para os meus atletas como seria mais fácil. Não vou. Não peço demissão. De jeito nenhum. Eu tenho um projeto e acredito nele. Estou acostumado com pressão. O Grêmio vai se superar aqui na Colômbia. Não peço demissão...
Por Cosme Rímoli às 18h04

Enquanto Ronaldo se esforça para perder peso e recuperar seu melhor futebol, há poucas dúvidas no País em relação ao melhor atacante em atividade.
Keirrison de Souza Carneiro. 20 anos. 80% do seu passe é da empresa Traffic e 20% ao Palmeiras.
Mesmo com toda a badalação em relação ao seu eficiente futebol, ele impressiona: não perde o foco.
Desde os primeiros chutes que deu em bolas de plástico, em Dourados, Mato Grosso do Sul, onde nasceu, foi condicionado pelo pai, empolgado com o talento precoce do filho:
"Nasci para ser um vencedor no futebol. Fui condicionado para isso. Nada do que está acontecendo me abala."
Não é bem assim. Basta dizer o nome de um clube espanhol para quebrar a concentração de Keirrison.
Barcelona.
"Assim como o Kaká cresceu pensando em jogar no Milan, o meu sonho é um dia jogar pelo Barcelona. E na hora certa eu vou jogar lá", garante, com assustadora convicção.
Como quando diz, sem medo, calmo como se falasse sobre o calor em São Paulo.
"Seleção Brasileira? Já estou pronto. Basta me chamarem."
Keirrison: você esperava tanto sucesso logo nos primeiros jogos aqui em São Paulo? E por que jogar no Palmeiras?
Sinceramente, eu tinha certeza que a escolha certa para mim era o Palmeiras. Desde que eu estava no Coritiba e analisava as propostas que surgiram para mim. O plano da Traffic de montar um time jovem e poderoso me estimulou. E foi decisivo o fato de o treinador ser Vanderlei Luxemburgo. Tinha certeza de que cresceria ainda mais nas mãos dele. O Vanderlei entende muito de futebol. Sabe como posicionar o jogador, como fazê-lo enxergar melhor taticamente uma partida. Estou aproveitando tudo o que posso da convivência com ele.
Seu sucesso não incomoda os outros jogadores? Pessoas importantes do futebol, como o Ademir da Guia, já disseram que muitas vezes a bola estranhamente não chega até você. Pode ser um boicote?
Não tem nada a ver. Grande parte do meu sucesso no Palmeiras acontece pelos outros jogadores. Todos estão meu ajudando: o Cleiton Xavier, o Diego Souza...Todos. Não existe essa história de boicote, não. O que acontece é que estou sendo muito mais marcado do que no começo, quando as pessoas não me conheciam direito. E no Palmeiras está acontecendo muito pelo contrário. Eu estou há pouco tempo. Mesmo os jogadores estão me conhecendo agora. Não sabem como eu me movimento, como eu me desloco. Falta entrosamento. E isso aparece mais com o aprimoramento da marcação sobre mim por parte dos adversários. Estamos conversando sobre isso: descobrir maneiras para que eu tenha mais chances de finalizar.
De onde vem essa frieza na hora de chutar para o gol? Você já é o atacante de melhor percentual da história do Palmeiras nos seus primeiros jogos: 13 gols em 10 partidas...
Olha, isso é uma característica minha. Nasci com isso. Só que eu não fiquei sentado no sofá, esperando feliz por saber chutar a gol. Pelo contrário. Eu trabalhei muito. Desde os tempos de menino, com o meu pai, aprendi a bater na bola com os dois pés e a cabecear. Nos clubes eu fiz questão de me aprimorar. Não me importava o quanto os outros treinavam. Sabia que eu deveria treinar. Era para o meu bem. E sempre fiquei treinando o máximo possível. Não adianta a pessoa ter um dom especial e não desenvolvê-lo. Agora estou aprimorando pênaltis e faltas. Preciso melhorar a minha bola parada. Eu sei o que posso fazer e estou evoluindo a cada dia. Não me acomodo. É bom para o meu clube, mas é melhor para mim.
Você fala que o Ronaldo é o seu ídolo. O que você tentou trazer dele para o seu futebol?
Foi vendo os gols dele que eu fiz questão de pedir para os treinador por onde passei que me ensinassem a dar arrancadas com a bola dominada. Faço exercícios com borrachas que me prendem, para desenvolver força nos músculos do arranque. E também corro com a bola nos pés. O importante é melhorar o quanto puder as arrancadas para saber o que fazer quando estiver com a bola nos meus pés e só um zagueiro e um goleiro pela frente. As pessoas podem pensar que é fácil quando assistem um gol. Mas não têm idéia de quanto treinamento existe por trás desse gol. Eu treino e penso muito como o Ronaldo faria. Ele é um jogador sensacional. Me espelho nele.
Você acabou o conhecendo no clássico de domingo e depois, mais de perto no programa Bem, Amigos do Sportv. Melhorou sua impressão sobre ele?
O Ronaldo é sensacional também fora de campo. Por tudo que significa para o futebol mundial ele continua simples, amigo. Torço muito pela sua recuperação. Gostei de ter visto o seu progresso em campo. Pena que marcou contra o Palmeiras, mas ele merece. Eu entendo bem o Ronaldo porque eu também sofri uma operação no joelho e fiquei quase um ano parado no Coritiba. Quando olho para ele e sei que ele suportou três operações e três recuperações, vira ainda mais meu ídolo. O Ronaldo é muito forte interiormente. Pouca gente tem idéia do quanto é difícil a recuperação para quem faz uma operação grave no futebol. Imagina três.
O Palmeiras está indo muito bem no Campeonato Paulista, mas está um fracasso na Libertadores. Por quê?
São duas competições diferentes. E que estamos aprendendo na prática o quanto são diferentes. No Paulista, a arbitragem pune as entradas mais duras. O jogo fica mais leve, bom para o nosso time que é formado na frente por jogadores velozes, habilidosos. Na Libertadores, não. Os árbitros permitem muito mais os contatos. A marcação se torna forte demais. O zagueiro ganha uma licença para que possa trombar, impedir que os atacantes possam dominar a bola e pensar na jogada. O time que o Palmeiras montou é jovem na frente. Com muita gente que não disputou a Libertadores. Estamos nos adaptando. Perdemos os dois primeiros jogos, mas tenho certeza de que poderemos e vamos nos recuperar. Ainda não está nada perdido. Não dá para duvidar do nosso time e, principalmente, do nosso treinador.
Fale a verdade: vai ser vendido para a Europa em julho? A verdade...
A minha carreira inteira foi planejada. Quando saí do Coritiba escolhi o Palmeiras. A verdade é que acredito que devo segurar, esperar um pouco mais para jogar em um clube europeu. Se pensasse só em dinheiro teria ido para a Ucrânia (houve uma proposta milionária do Shakthar Donestk) antes de vir para o Palmeiras. Eu disse, não. Agora, não vou mentir ou fazer de conta que não sei o que acontece. Se surgir uma proposta muito acima da média no meio do ano dificilmente há como recusar. Não sou eu, a Traffic, o Palmeiras. É a conjuntura da economia. Se dependesse apenas de mim, eu não sairia do Palmeiras neste ano. Mas sei que não posso garantir isso. Não vou mentir para agradar o torcedor.
Se você ficar pode ser um risco. Você tem um seguro para, no caso de se machucar, não perder dinheiro? O Palmeiras não fez um seguro milionário para você...
Não fez, mas eu tenho um seguro meu. E está feito em um bom valor. Se eu me machucar terei uma segurança. Ninguém gosta de falar nisso, mas eu tinha de fazer esse seguro. Quanto ao clube acredito que ainda vá fazer. O meu está feito e não vou falar o valor da apólice.
Dizem que você tem o estilo do Careca, mas pensa como o Kaká. Ele tinha um sonho desde a infância: jogar no Milan. E fez tudo para isso. E você?
Eu também tenho: o meu sonho é jogar no Barcelona. E na hora certa eu vou jogar lá. O meu estilo tem muito a ver com o futebol espanhol. E em relação ao Barcelona, esse clube me atraí desde menino. Gosto da maneira ofensiva que o clube sempre atua. E também por privilegiar os jogadores técnicos. Acompanho de perto seus jogos. Gosto de pensar que o meu futebol se encaixa da maneira que o Barcelona historicamente disputa suas partidas. Quero e acho que um dia vou jogar lá.
E Seleção Brasileira? Você tem apenas 20 anos. Acha que está pronto para ser convocado? Dá tempo de disputar a Copa de 2010?
Me sinto preparado, pronto. Basta me chamarem. Sinto que dá tempo para disputar a Copa de 2010. Acredito no meu futebol. Faz parte dos meus planos para a minha carreira chegar à Seleção Brasileira jogando pelo Palmeiras. A concorrência é forte, tem atacante brasileiro bom em todos os lugares. Mas confio em mim. Sem desrespeitar ninguém. Vou fazer o máximo pelo Palmeiras e acredito que sirva para mostrar que posso estar na Seleção Brasileira.
E em relação as baladas. Você é jovem? São Paulo tem tentações maiores que Curitiba. Não pode perder o foco?
Baladas não me atraem. Eu sou jovem, gosto de sair. Mas para restaurantes. Eu tenho a minha namorada firme (Hevelyn,irmã do zagueiro Henrique, vendido pelo Palmeiras ao Barcelona). Saio com a minha família para jantar. Isso eu gosto. Não sou de noitadas, discotecas. Moro sozinho desde adolescente. Aprendi o que serve e aquilo que não serve para mim. Não vou jogar fora a minha carreira, a minha vida por causa de noitadas. Além de jogar futebol quero cursar uma faculdade no Exterior: administração de empresas, que vai ajudar a minha carreira. Um dos segredos da vida é saber o que você quer, onde deseja chegar. Eu sei o que eu quero. E sei exatamente onde quero chegar.
Por Cosme Rímoli às 07h55

O assunto e, ele, estavam mortos para a CBF.
Ao final da Copa de 2006, o presidente Ricardo Teixeira ficou raivoso com o comportamento de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos.
O trio era o responsável por levar os jogadores para as madrugadas de baladas.
As folgas na Suíça e na Alemanha foram desculpas para farras que vararam a noite.
E envergonharam a todos.
O treinador Carlos Alberto Parreira fez o mesmo que Luiz Felipe Scolari.
Dava a noite seguinte de alguns jogos.
Só que com Felipão, as festas terminavam mais cedo.
Na Alemanha se perdeu o controle.
Com a derrota para a França e a eliminação precoce, a cúpula da CBF tomou algumas decisões.
Roberto Carlos não seria mais chamado mesmo pela idade.
Ronaldinho Gaúcho seria "enquadrado" por Dunga. Se não aceitasse se regenerar não seria mais chamado.
E Ronaldo? Nome fora de cogitação. O motivo: falta total de vontade de continuar na Seleção.
Os dez quilos que ele se apresentou a mais na Copa e as baladas falavam por si.
Dunga nunca nem cogitou chamá-lo. Até que veio a contusão que seria o ponto final no 'Fenômeno'.
E agora, o inesperado início de um processo de redenção no Corinthians.
Em várias pesquisas o amor da população à Seleção Brasileira ficou no passado.
No Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente.
A falta de identificação dos jogadores que atuam na Europa desestimula o torcedor.
O telespectador.
E a chance de pedir mais dinheiro ao patrocinador.
Ronaldo continua vetado.
Mas o que ele está fazendo no Corinthians já teve eco nos corredores blindados da sede da CBF na Barra da Tijuca no Rio.
A TV Globo já ensaia comandar uma campanha para a volta do Fenômeno à Seleção Brasileira.
Há interesse também em subir a audiência capenga dos jogos do Brasil.
O influente narrador Galvão Bueno aproveitou seu programa Bem, Amigos na Sportv para pedir o jogador com a camisa amarela.
Ronaldo sabe do veto de Teixeira. Lembrou dele, sem falar o nome do seu 'inimigo oculto', aquele que todos que trabalham com futebol sabem quem é.
Seu carisma é muito maior do que os cinco quilos que continua a mais (já perdeu um de domingo até hoje) que continua carregando no corpo.
Diz que seu sonho é voltar. Não pelo passado, mas pelo que ainda pode fazer.
Dunga, sem graça, no Roda Viva da TV Cultura, diz que se ele voltar a ser Ronaldo será chamado.
Esperto, o treinador não pode se colocar contra a opinião pública.
Bastou entrar em dois jogos e o sonho está forte e o veto começa a fraquejar.
Ricardo Teixeira se deixa influenciar demais pela opinião pública e pela pressão da TV Globo.
E seu tino comercial é aguçado para buscar mais dinheiro para a CBF.
Teixera sabe que a Seleção Brasileira precisa de um ídolo jogando no Brasil.
Ainda mais em um time de massa como o Corinthians.
A bola, literalmente, está com Ronaldo.
Só depende dele a mais fantástica reviravolta da sua carreira.
Se tiver amor ao futebol, como diz que tem, poderá voltar a vestir uma camisa amarela muito especial...
Aquela mesma que já lhe vestiu muito bem...
(Em tempo: o post foi de ontem. As declarações são de Ricardo Teixeira, hoje, na Folha de S. Paulo: "Se ele voltar a jogar como antigamente quem não gostaria de ter o Ronaldo em 2010? Talvez pudesse acontecer no fim da Copa das Confederações. Ele poderia nos ajudar a classificar e jogar na própria Copa. Vamos torcer para jogar muito melhor do que agora". Prova maior, de que o presidente da CBF já fraquejou, não existe.)
Por Cosme Rímoli às 20h20

Juvenal Juvêncio. Presidente do São Paulo, um dos clubes com maior patrimônio na América Latina.
Aos 73 anos, administra problemas de 'grande magnitude', como preparar o Morumbi para a abertura da Copa do Mundo de 2014, ou supresa, até fazer a final.
E questões 'pequenas, do dia-a-dia', como o descontentamento de Dagoberto com a reserva.
Mostrou sua alegria com a punição ao presidente Marco Polo del Nero que ousou 'tentar manchar a conquista do Brasileiro de 2008'.
Um dos homens mais poderosos do futebol brasileiro falou hoje por uma hora com exclusividade ao blog.
Juvenal: o que significa para o São Paulo o Morumbi abrir a Copa do Mundo de 2014?
A consolidação da marca do São Paulo no mundo inteiro. Iremos mostrar a nossa força, a nossa capacidade de ter um estádio particular perfeito, para ser observado pelo planeta todo. Será um marco histórico, um fato cultural. Mostrará o poder de um clube bem administrado. Dará orgulho aos seus sócios, aos seus torcedores, a uma cidade, a um país. Chega a ser intangível o benefício que a Copa do Mundo trará para o São Paulo. Vamos mostra a pujança do nosso clube ao mundo. Mesmo que não for adepto do São Paulo, mas for brasileiro, terá orgulho do que faremos no Mundial.
Há muitas pessoas dizendo que o Morumbi terá de sofrer uma profunda reformulação. Que está muito antiquado para os tempos modernos... Pontos cegos...
(bastante irritado) Há muita ignorância por parte das pessoas, principalmente os jornalistas! Ninguém leu o caderno de encargos da Fifa! Para nós ele virou a nossa Bíblia. Sabemos cada item e já o discutimos com as autoridades da própria Fifa, do governo federal, estadual e municipal. O Morumbi está 85% adequado já para a Copa. Temos de fazer 15% de obras para que possa mandar uma partida do Mundial. Mas iremos fazer muito mais. Ontem mesmo tivemos uma reunião noturna no São Paulo muito importante em relação aos pontos cegos, por exemplo.
Presidente, os pontos cegos nasceram por causa da selvageria das torcidas?
Sim. Infelizmente é isso mesmo. Nós tentamos colocar primeiro grades separando os torcedores. Só que eles conseguiam se chutar, se cutucar, pelos vãos. Tivemos, então, de colocar placas sólidas de metais. Nos pareceu a única solução. Só que quem senta atrás dessas placas não enxerga mesmo parte do estádio. Resolvemos ontem mudar para vidros temperados, os mais fortes que conseguirmos achar. Porque alguns, à prova de bala, foram rompidos em um clássico (Corinthians e São Paulo). Infelizmente, temos de conviver com esse comportamento selvagem dos torcedores. Mas nos adequaremos. E também lhe digo que sei que o presidente Lula irá tornar a legislação mais dura para essas pessoas que se dizem torcedoras. Isso vai ajudar para quem possui estádios no Brasil. Ter um estádio de primeiro mundo como o nosso dá trabalho, mas é um privilégio tê-lo.
Não vamos perder o foco: o Morumbi abre a Copa e o Maracanã fará a final?
Olha, não está nada definido ainda. São muitos interesses, muita pressão, lobby político, envolve o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Vi anúncios em jornais falando da força do Pantanal para o Mundial. Que me desculpe o Pantanal, mas não dá para cogitar a hipótese de abrir um Mundial no Pantanal. Quanto ao Maracanã tenho a tristeza em lhe falar que a situação dele é muito complicada. Há um plano de privatização envolvendo Flamengo, Fluminense e CBF. Só que este processo de privatização é complicado. Não é simples. Já li que demorará todo o ano de 2009. E o miolo do Maracanã precisa ser demolido. E depois reconstruído. O tempo será curto. A Copa do Mundo não é brincadeira. Se a situação permanecer assim, vejo a possibilidade até de o Morumbi abrir e sediar a final da Copa do Mundo. É uma possiblidade real, concreta. Escreva o que estou falando.
Mas e Minas Gerais do governador Aécio? Ele já está em campanha para levar a abertura para lá...
Já há pressão de todo o lado. Só que há muita gente equivocada. Não é a Fifa daqui que vai decidir. Será a Fifa verdadeira, a Fifa de fora. E aí irão contar a rede hospitalar, aeroportos, infraestrutura viária. Nós temos Rodoanel. Metrô, hotéis. Quantos hotéis existem em Belo Horizonte para suportar um evento como a Copa do Mundo. Todo mundo tem o direito de brigar pelos seus interesses. Mas conhecendo a fundo os critérios que a Fifa usará para escolher os locais dos jogos, eu fico mais do que confiante. Não sou contra ninguém. Apenas sei o que o São Paulo e o Morumbi têm a oferecer. E para as pessoas não pensarem que estou falando por mim, falo por São Paulo estado, cidade. O governador Serra e o prefeito Kassab estão profundamente envolvidos no projeto Morumbi para a Copa de 2014.
A falta de estacionamento é o maior problema do Morumbi?
Isso é que pessoas leigas falam. É uma grande bobagem. Os estádios do Japão, da Alemanha não possuem gigantescos estacionamentos. O problema é grã fino brasileiro não gosta de andar de metrô. Mas vai andar se quiser ver jogos da Copa do Mundo no Morumbi. Se os ricos da Europa andam de metrô, os daqui vão aprender a comprar e colocar os bilhetes nas catracas. A Fifa exige uma estação de metro a 1.500 metros do estádio. Até 2012 estará terminada a estação São Paulo-Morumbi. Ela ficará a 1.160 metros do estádio. Tudo estará dentro da lei. Você falou em problema. Vou revelar um que ninguém sabe. Teremos e vamos construir um centro de imprensa para cinco mil jornalistas do mundo inteiro no Morumbi. E o que farei com esse espaço assim que a Copa acabar? Isso sim é problema. Estacionamento eu irei construir para dar mais conforto aos torcedores, mas o metrô resolverá o problema de transporte.
De onde viráo o dinheiro para a reforma do Morumbi?
Já foi amplamente divulgado. Fora do nosso estádio será o governo federal. Dentro é problema nosso. E já temos vários parceiros para viabilizar a obra. Não usaremos dinheiro público, se é o que você quer saber. Nem um centavo.
O senhor está elitizando o Morumbi com camarotes luxuosos, biblioteca, bar temático. E os torcedores pobres que torcem para o São Paulo?
Eu sei que represento pessoas cuja grande e,talvez, única alegria é ver o São Paulo em campo. O Morumbi sempre terá setores para elas. Sempre. Mas eu não posso fechar os olhos para que o futebol e o mundo mudaram. As pessoas que podem querem e estão dispostas a pagar pelo conforto. Pense em um teatro. As pessoas pagam mais e sabem que terão o prazer de assistir ao espetáculo confortavelmente. Essa tendência é irreversível. Traz lucro ao clube e atende à uma reivindicação de uma camada que pode pagar por esse luxo. Até pode ser elitização. Mas jamais vamos fechar os olhos para os nossos torcedores sem poder aquisitivo. O São Paulo é de todos.
Por falar nisso, o clube está preparado para o Corinthians não jogar mais no Morumbi enquanto o Andres Sanches for presidente?
Nós temos as nossas fontes de renda. Temos os nossos shows. As nossas partidas. Não dependemos de nenhuma equipe de fora. O que posso dizer sobre o caso é que tudo que fica na base da semântica, da conversa, da emoção, precisa ser analisada com calma. Não acredito em uma briga definitiva com o Corinthians. Isso não é bom para ninguém. Vou lembrar uma questão muito mais profunda. Sabe quem são os parceiros que brigam pelas mesmas coisas no Clube dos 13? São Paulo, Flamengo e Corinthians. Estamos juntos. Eu sei disso, o Andres sabe. Enfim, acredito que há questões menores que perdem a importância diante das maiores. E digo mais: o Palmeiras vai se aproximar muito mais do São Paulo e do Corinthians por causa do novo presidente Belluzzo que é de outro nível. O antigo presidente Afonso Della Monica não se envolvia em questões fundamentais para os clubes paulistas. Essa briga entre nós e o Corinthians é uma situação pequena que será resolvida com bom senso.
Por falar em briga, o senhor está satisfeito com a punição ao presidente da FPF, Marco Polo del Nero?
Sim. Essa pessoa quis tirar o brilho da conquista do São Paulo. Levantou questionamentos sem fundamento na decisão do Campeonato Brasileiro. Tinha de ser punida exemplarmente. Foi sensacional porque mostrou a transparência e a força da justiça no Brasil. Foi o primeiro dirigente realmente com poder punido. Não foi uma vitória do São Paulo foi da justiça. Agora, eu soube que ele está indo todos os dias para o prédio da Federação Paulista de Futebol. Só que sua assinatura por noventa dias não vale nada. Ele não pode despachar. Ele vai e manda outras pessoas assinarem. Soube também que acompanhou a reunião entre dirigentes do Palmeiras e do Corinthians em relação ao clássico de Presidente Prudente. Achei normal. Como conselheiro do Palmeiras ele tinha de estar lá para saber o que aconteceria com o seu clube.
De uma forma direta: explique a diferença para o presidente do São Paulo a diferença entre Libertadores e Campeonato Paulista...
Vejo como qualquer torcedor de arquibancada do São Paulo: a Libertadores é a prioridade. Todos têm a minha ordem para colocá-la sempre em primeiro plano. Sempre. O São Paulo tem objetivos maiores, buscar o que o mundo apresenta como maior desafio. E nós já não ganhamos a Libertadores faz tempo. É simples: se de para ganhar o Paulista, a gente ganha. Mas conquista para um clube como o São Paulo é a Libertadores, o Mundial, o Brasileiro. Nós contabilizamos essas conquistas. E não escondemos isso de ninguém.
Por falar em problemas, como vai agir em relação ao Dagoberto que está insatisfeito com a reserva?
Sei do caso Dagoberto. Mas é um problema interno. Só lhe digo que no São Paulo não há espaço para jogadores insatisfeitos, descontentes. O Dagoberto vai voltar a ficar contente. O jogador quando vem para o São Paulo sabe que a instituição é mais importante do que o desejo pessoal de qualquer um. Vale para ele e para qualquer pessoa. O Muricy tem toda a minha confiança e sabe como agir. Ninguém tem o direito de se achar mais importante ou no direito de atrapalhar o grupo. Ninguém. O São Paulo é maior do que todos nós.
Qual o prazer de ser presidente do São Paulo?
Saber que comando uma das maiores instituições esportivas do mundo. Mas que cinco minutos depois que o jogo termina, o prazer vira preocupação. O meu clube é importante demais. E exige demais de quem for o seu presidente para mantê-lo assim. Eu quero e o clube exige o máximo, o melhor para o São Paulo. E isso não é fácil em um mundo em crise.
Você ainda será presidente do São Paulo quando acontecer o primeiro jogo da Copa de 2014? (Seu mandato termina em 2011.) E onde estará?
Bom...Só sei que serei mais um são paulino na arquibancada do Morumbi. E orgulhoso do estádio moderno, confortável que mostraremos ao mundo. O Morumbi será referência para o mundo. Se serei presidente ou não, não sei dizer... Ah..deixa isso para lá, Cosme...
Por Cosme Rímoli às 10h25

Ronaldo não deveria estar tão orgulhoso.
Onze gols em onze partidas do Campeonato Paulista.
Seis gols em apenas duas partidas da Libertadores da América.
A defesa é o ponto falho do Palmeiras.
Na verdade, houve um erro de avaliação.
A grande preocupação em reformular a equipe em relação ao ano passado.
Torná-la mais ágil, leve, rápida.
Do meio de campo para a frente, está dando certo.
Mas, Vanderlei Luxemburgo, não escolheu bem seus zagueiros.
Não há um grande destaque positivo.
Os goleiros andam inseguros, irritados.
E depois de Roque Júnior no ano passado, outros dois veteranos também não estão agradando.
Marcão e Edmílson não jogam como se esperava. Não trouxeram segurança.
Empresários e olheiros da Traffic já estão trabalhando e fazendo a triagem no futebol brasileiro.
Querem contratar pelo menos dois zagueiros confiáveis para o Campeonato Nacional.
No Exterior sondam quem está interessado em voltar em agosto.
Há uma saudade incrível de Henrique.
Contratado do Coritiba no ano passado, ele foi vendido após apenas quatro meses para o Barcelona.
E de lá foi emprestado ao Bayer Leverkusen.
Como os empresários deles são os mesmos de Keirrison, houve uma sondagem para tentar trazê-lo por empréstimo.
Mas os espanhóis querem aproveitá-lo depois da agosto.
"A saída do Henrique foi um desperdício que reflete até agora. Foi um erro de avaliação da nossa Comissão Técnica (comandada por Luxemburgo) e nossa, da diretoria. A Traffic não queria negociá-lo. O erro foi do Palmeiras. Ninguém no Brasil tem hoje um jogador como ele. Nós tínhamos e abrimos mão", admite, arrependido, o presidente Belluzzo.
Agora é tarde...
Por Cosme Rímoli às 01h05

Não há limites para quem busca ganhar dinheiro usando Ronaldo.
Chegou ao prefeito de Presidente Prudente, Milton Carlos de Mello, uma sugestão criativa.
Pegar o alambrado que caiu após o gol de empate do Corinthians, ontem, no estádio Farahzão, e cortá-lo em pedaços.
E vender para os corintianos apaixonados.
O Muro de Berlim foi a inspiração.
Com a palavra o prefeito:
Quando o senhor vai começar a vender pedaços do alambrado que caiu?
Foi uma idéia que nasceu por aí, mas não tem cabimento. Não vou fazer isso, não. Sei que até algumas pessoas poderiam ficar interessadas, para guardar de lembrança. Essa idéia não dá para levar a sério. É para rir. Não vou permitir isso, não. Já mandei pela manhã e o alambrado está no entulho, no lixo de Presidente Prudente. Quem quiser que vá lá. Já estamos colocando um novinho no estádio. E mais seguro. Quero pelo menos uma partida do quadrangular final do Paulista aqui em Presidente Prudente.
O senhor esteve no churrasco que acabou com o Ronaldo indo para a noitada no famoso Pops' Drinks. Como é que a coisa estava na mansão do Antônio Carlos? E o senhor imagina que iria acabar com o Ronaldo chegando às 5h30 no hotel?
Não esperava, não. Eu sou muito amigo do Antônio Carlos e da sua família. Levei meus filhos e esposa. Foi absolutamente familiar até as 19 horas. Depois eu fui embora. Não imagina que fosse acontecer o que aconteceu.
Como é que o senhor vê a Pops's Drinks virando um ponto turístico de Presidente Prudente?
Bem, eu acho até bom. A Pops' ganhou fama internacional. Todos querem saber onde o Ronaldo foi. Quem são as mulheres que trabalham lá. É bom para Presidente Prudente. Nossa cidade era apenas conhecida pelos nossos presídios. Agora tem a Pops e o nosso estádio.
O senhor vai mudar o nome do estádio? Hoje ele se chama Eduardo José Farah em homenagem ao ex-presidente da Federação Paulista de Futebol...
Vou mudar sim. Não tem motivo para se chamar Farahzão. Vou trocar, vai se chamar Agripino Lima que foi prefeito daqui. Será uma homenagem em vida. O nome tem de ser alguém representativo para a cidade. E não adianta perguntar, não vou dar o nome do Ronaldo para o estádio também, não.
O senhor desviou dinheiro da Prefeitura para levar o Corinthians e o Palmeiras para sua cidade?
De jeito nenhum. O dinheiro de apoio ao jogo veio da iniciativa privada. A prefeitura não pôs um tostão. Nada.
Por Cosme Rímoli às 18h19

Cenas do jogo de mais um renascimento de Ronaldo.
O cenário, Presidente Prudente.
Noite de sábado no Pop's Drinks. Alguns dirigentes do Corinthians sem poder no futebol vão até a boate para conhecer as mulheres que encantaram Ronaldo. Jornalistas também.
A tabela subiu. Damas da noite que chegaram perto de Ronaldo cobram o dobro para divertir os clientes.
No domingo: na tribuna de honra da FPF, o ex-diretor técnico do Corinthians, Antônio Carlos, assiste o clássico. Perto dele, vários diretores corintianos. Agem como se não o conhecessem.
Antônio Carlos teve de se demitir por causa da noitada de Ronaldo no Pop's Drinks na semana passada. Sua mulher exigiu sua saída.
No vestiário do Palmeiras: Marcão pede desculpas por ter deixado Ronaldo cabecear e empatar a partida. Ele sabe que se comportou como um juvenil deixando o atacante cabecear como quis.
Edmílson não jogou. Mas sentia que poderia estar em campo. Não foi escalado.
Luxemburgo trata de desviar o assunto reclamando da arbitragem. Velho truque quando o seu time decepciona.
No vestiário corintiano, o presidente Andres Sanches abraça forte Ronaldo. Ele está aliviado. Sabe que o gol do Fenômeno poderá trazer de vez os patrocinadores e ter a chance de cumprir sua palavra e trazer uma empresa que, em plena crise, coloque R$ 30 milhões na camisa do Corinthians. Executivos do cartão Visa e do Carrefour se animaram mesmo.
Somando patrocinadores apenas da partida de ontem, Visa, Panasonic e Lupo e ainda parte da renda, o clube levou para o Parque São Jorge R$ 850 mil.
E Andres aposta na euforia e falta de memória de quem acompanha futebol. A farra no Pops' Drinks seria esquecida.
O importante é a televisão repetir o lance indefinidamente. E Ronaldo falar e ser festejado. Em todas as tevês abertas.
E hoje, com seu locutor predileto, Galvão Bueno, no canal a cabo Sportv.
A Prefeitura de Presidente Prudente tem certeza que ninguém se lembrará de interditar o estádio Farazão.
O alambrado foi ao chão graças ao gol de Ronaldo. Pessoas poderiam ter morrido, se machucado.
Mas o gol de Ronaldo faz esquecer tudo.
E assim segue o futebol brasileiro...
Ah...Ronaldo fez tudo isso estando seis quilos acima do seu peso ideal.
Por Cosme Rímoli às 13h29
Ele é o senhor do destino de Neymar.
Assim como já foi de Kaká. Assim como já foi de Robinho.
Nem se nascesse de novo e ficasse a vida toda agradecendo aos céus, nem mesmo assim estaria quites.
Ninguém teve tanta sorte como empresário de jogadores desde que a Lei Pelé surgiu.
Aos 48 anos, ele possui mais de cem jogadores.
Agente Fifa, ele tem tantos contratados que, para dar atenção a eles, se juntou ao empresário Jota Hawilla da Traffic.
Hawilla e ele fundaram a Traffic Talentos. Jovens garotos ficam com os dois na empresa.
Vagner Ribeiro tem muito a falar.
Em entrevista exclusiva ao blog fez várias revelações.
Entre elas que conseguiu vender 40% que Neymar tinha dos seus direitos federativos ao grupo Sonda (por dois milhões de euros).
"Esse dinheiro iria virar pó. O Kaká e o Robinho abriram mão da porcentagem sobre os 'seus passes' e foram para a Europa. O Neymar, não, ganhou agora. E vai ganhar mais depois."
"Eu levei uma proposta do futebol espanhol de 25 milhões de euros para a Traffic pelo Keirrison. O Jota Hawilla não quis vender agora. Disse que vai esperar pelo menos um ano.
Mas eu duvido que esse jogador fique até agosto. Virão novas propostas e irrecusáveis. Eu mesmo vou arrumar algumas."
Vamos entrar direto na questão: você é um aproveitador da miséria do povo brasileiro?
Não. Eu sou um empresário honesto, com registro na Fifa, que busco jogadores de talento. Picaretas, sacanas, empresários que abandonam jogadores em aeroportos da Europa, isso tem.
Eu trabalho há 15 anos. Tenho nome, sou honesto. Se não fosse uma pessoa decente não teria dado palestra na Faculdade Getúlio Vargas para 400 alunos. Vários deles disseram que vão fazer tudo para conseguir ter o mesmo destaque que eu. Que iriam ser empresários de futebol. Eu não me aproveito da miséria, não. Busco é dar um emprego decente para quem tem talento.
Você deu mais casas do que o Bau da Felicidade do Silvio Santos. Quantos jogadores você tem? Na última entrevista que fizemos você tinha mais de 100...
Não sei. Não sei de verdade. Perdi a conta. Mas por um bom motivo. Me associei ao Jota Hawilla. Até para administrar melhor a carreira dos garotos. Eu me organizei. Tenho olheiros no Brasil inteiro. Chegam nas minhas mãos cerca de 50 dvds de jovens jogadores. No Brasil nascem ótimos jogadores todos os dias. Eu procuro trabalhar com os melhores, planejar suas carreiras. Se a família precisa de uma casa e, quando o potencial do menino justifica o investimento, trabalho para dar essa casa. Qual o problema? Estou fazendo mal para alguém? É uma relação profissional. Não forço ninguém a nada. E, repito, sou uma pessoa que tem credibilidade. É uma negociação, um investimento de todos os lados: meu e da família.
Você sucedeu o uruguaio Juan Figer que dominou o mercado brasileiro nas décadas de 70 e 80...Como tudo começou para você?
Primeiro quero falar do Figer. Ele ainda é muito poderoso. Foi quem levou o Luxemburgo para o Real Madrid. Eu tinha uma corretora de valores antes de começar no futebol. Fui ajudar o XV de Jaú. O clube estava falido, não pôde me devolver o que havia colocado na equipe. Fiquei com os passe de três jogadores: Aoecione, que virou pó; do Sandro, que virou pó; e do França, que virou um ótimo atacante que negociei com o São Paulo. A partir daí, comecei a trabalhar empresariando atletas.
Você deu uma sorte danada. Ficou logo com o Kaká e o vendeu para o Milan. Depois, o Robinho que foi para o Real Madrid. Mas os perdeu também...
Vamos com calma. Eu peguei muitos outros jogadores. Muitos. Mas o Kaká e o Robinho foram mesmo dois grandes achado. O Kaká eu pude trabalhar bem e o vender para o Milan. Por uma questão contratual, ele foi apenas por US$ 8 milhões. Nós paramos de trabalhar juntos porque ele escolheu ficar com o pai logo depois da transação com o clube italiano. Lógico que fiquei chateado, mas compreendi. Ele ficou com o pai. Já com o Robinho, a situação foi um pouco diferente. Muita gente desinformada diz que ele não quis ficar comigo porque eu forcei a ida dele para o Manchester City. Não é verdade. Eu batalhei muito para que ele conseguisse o que queria: jogar no Chelsea. Mas a diretoria do Real Madrid ficou irritada demais pelo fato de o Chelsea já ter colocado à venda camisas do Robinho quando a negociação não estava fechada. Me disseram: "o Robinho sai. Vai para qualquer time do mundo. Menos o Chelsea". O que eu poderia fazer? Corri atrás de outra equipe: o Manchester City. Ele ganha lá três vezes o que recebia no Real Madrid. Depois da transação nos afastamos até porque o nosso contrato estava vencido. Mas sabe que é o procurador dele?
Sei sim...O Bernardo Assunção...
Isso mesmo. Ele é meu genro. Está tudo em casa. Eu não trabalho mais com o Robinho. Eu fui sete anos empresário dele. Fiquei amigo demais. Fui eu quem negociou com os sequestradores a libertação da sua mãe. Eu o defendo sempre. É uma pessoa de ótimo caráter. Como no caso do suposto estupro, ele foi vítima das Marias Chuteiras inglesas que são profissionais. Ele está provando a sua inocência.
Mas como foi que depois de Kaka, Robinho, ainda lhe cai o Neymar nas mãos? Não é sorte demais para uma só pessoa?
Não é sorte. É trabalho. Eu tenho pessoas que buscam jogadores para mim. O Betinho que é um olheiro meu, descobriu o Robinho jogando futebol de salão quando era menino no litoral. Agora ele descobriu o Nilmar nas mesmas condições do Robinho: jogando futebol de salão. O Neymar tinha uns nove, dez anos jogando futebol de salão. E eu fiz contato com a família e desde então planejamos a carreira dele. O talento do Neymar é fabuloso. Ele tem o poder de definição do Ronaldo, dribla como o Robinho e tem a visão de jogo do Kaká. É e sempre foi um craque.
Em Santos se diz que você mentiu sobre o interesse do Real Madrid quando ele tinha 13 anos...
Isso é ridículo. Guardo até hoje o contrato que o então presidente do Real Madrig, Florentino Perez, me mandou para o Neymar. Ele pagaria um milhão de euros e ainda daria um salário de R$ 10 mil para a família. O presidente Marcelo Teixeira viu o contrato e resolveu cobrir. Ele aposta que vai ganhar ainda muito mais dinheiro com ele. E acho que fez o certo. Eu tenho o contrato guardado para quem acha que sou mentiroso. O Neymar é tratado no Santos como um jogador de grande talento, que é um grande investimento e que vai trazer muito dinheiro ao clube.
Ele tem alguma proposta?
Tem do Arsenal, do Manchester United, do Real Madrid, do Barcelona. Mas já planejamos a sua carreira. Ele vai ficar no Santos por um bom tempo. Tem apenas 17 anos. Vai lutar para ser titular do time e depois se transformar nos próximos anos em jogador da Seleção Brasileira e só depois Europa. O Neymar tem talento, mas precisa se firmar. E vai fazer isso no Santos. O presidente Marcelo Teixeira que é dono de 60% dele e do grupo Sonda, dono de 40% também pensam como eu. Não sairá nos próximos anos. Sua multa é de 30 milhões de euros, quase R$ 90 milhões. Isso não irá aparecer tão cedo. Seu contrato é de cinco anos.
Como é que foi vender os 40% que pertenciam a Neymar para o empresário Delcir Sonda? O Chelsea não iria ficar com os 40%?
Sim. Mas acontece que o Delcir resolveu cobrir a proposta. Foi o que fez. Para o jogador foi ótimo. Ele e a família pegaram o dinheiro que para Kaká e Robinho virou pó. Eles abriram mão da parte que teriam direito para serem vendidos ao Milan e ao Real Madrid. O Neymar não precisou disso. Foi ótimo. Ele ganhou agora e vai ganhar depois.
Como é que foi a preparação psicológica do Neymar?
Há muito tempo ele sabe que é craque. Sua cabeça é ótima. E está sendo tratado com todo o cuidado. Não vai se empolgar e perder o rumo, não.Nem ele, nem nós. Sua carreira está planejada. Mais do que ninguém ele sabe que está começando uma carreira que vai exigir a sua dedicação total para dar certo. Ele está muito bem cercado. O Santos terá um craque com a cabeça muito boa.
Mas sua vida não é só de acertos...O Renatinho que era apontado como melhor que o São Paulo que o diga.
Tem razão. Eu posso falar: 5% dos jogadores com quem trabalho vão para a Europa. Cerca de 60% ganham um ótimo salário e ficam no Brasil. Os 35% restantes se perdem. E olha que eu filtro bem, seleciono. O Renatinho foi um retrato da influência errada da família. Ele era um talento raro. Baixinho, mas sensacional. Mas a família veio me pressionar dizendo que eu só trabalhava a carreira do Kaká. Fui desrespeitado. Acabei com o contrato e deixei que a família do Renatinho buscasse um time para ele. Infelizmente, ele sumiu. Virou pó.
E o Lulinha? Não era o novo Pelé?
Foi um fenômeno nas categorias de base no Corinthians. Fez um contrato excelente com ótima multa (R$ 50 milhões). Mas ele não está conseguindo jogar na sua posição original. Tem de ajudar o time, atuando na ponta direita. Quando puder atuar como meia, vai mostrar que é um grande jogador. Acredito demais nele. (Vagner não confirma, mas busca emprestar o jovem atacante para que dispute o Brasileiro por outra equipe. A diretoria corintiana está convencida que seria mesmo interessante a saída de Lulinha por período.)
Você tem alguma outra novidade?
Sim três jovens jogadores que vão dar o que falar: Dodô, menino de 16 anos, lateral do Corinthians. Comprei 50% dos seus direitos federativos. Vou levá-lo por um período de estágio no Manchester United. Os ingleses estão apaixonados por ele. Fechei também com o Marcelo do Palmeiras. Atacante de 16 anos que foi artilheiro por todas as categorias pelas quais passou. E também o Lovinho do Palmeiras profissional. Ele é ótimo, sensacional, vocês da imprensa vão ver.
Por falar em Palmeiras, e o Keirisson. Ele será negociado?
Olha, eu levei uma proposta de 25 milhões de euros do futebol espanhol. O Hawilla disse não. Mas eu duvido que ele fique até agosto. Virão propostas irrecusáveis. Eu mesmo vou trazer algumas.
A família do Neymar confia plenamente em você?
Depois da estréia dele ontem contra o Oeste fui com ele e a família na pizzaria 1900 nos Jardins. Ao me ver o pai dele me viu e me deu um beijo carinhoso. Disse: "Muito obrigado pelo que está fazendo pelo meu filho". Isso me deixa mais feliz do que todo dinheiro que ganhei no futebol. E uma pena que, quem diz que empresário só suga jogador, não tenha visto a cena. Ganho dinheiro, mas faço bem o meu trabalho. Faço tudo pelos meus jogadores.
(Dois exemplos de jogadores de Vagner Ribeiro. Neymar, 17 anos, ganha R$ 80 mil mensais. Tem contrato até 2014. Lulinha, 18 anos, recebe R$ 70 mil no Corinthians. Tem contrato até 2012.)
Por Cosme Rímoli às 15h08
Trabalhou, com orgulho, por 22 anos no Jornal da Tarde.Cobriu as últimas quatro Copas do Mundo, cinco Eliminatórias para a Copa, quatro Copas América e dezenas de finais entre Libertadores, Brasileiros e Campeonatos Paulistas.
Cosme Rímoli aborda os bastidores do futebol, entrevista personagens significativos e analisa o que ocorre dentro e fora dos gramados.