
Começo de abril.
Época que os empresários e representantes dos clubes europeus esfregam as mãos.
Com a ansiedade de um garoto faminto em uma loja de chocolates.
E com dinheiro no bolso.
Não com o bolso cheio, como antes da crise mundial, mas com o bolso cheio.
Representantes do Barcelona, do Liverpool, do Real Madrid ganharam a companhia do Lyon na observação de Keirrison.
O ex-jogador do Corinthians, Marcelo Djian, levou Nilmar para a França, ao Lyon.
Ele disse a amigos que indicou o jovem atacante do Palmeiras.
"Keirrison é rápido, ágil, inteligente. E artilheiro. É tudo o que eles sempre pedem", resumiu Djian.
Vagner Ribeiro está insistindo com Jota Hawilla para que aceite a proposta de 25 milhões de euros do Barcelona.
Os representantes de Keirrison, os irmãos Malaquias, também são de Dagoberto.
Eles sabem que o jogador perdeu espaço imenso no São Paulo.
E têm conversado com empresários ligados ao futebol da Europa oriental.
Times da Ucrânia são encantados com Dagoberto, aquele que jogava no Atlético Paranaense, não com o do São Paulo.
Dentinho é o jogador que a diretoria do Corinthians tem certeza que fará dinheiro.
Empresários de clubes italianos, alemães, franceses e ingleses tentam convencer suas equipes a investir no jovem corintiano.
Mas idade não é obstáculo, quando a busca é por fazer dinheiro.
Kléber Pereira pode continuar reclamando de Wagner Mancini publicamente.
Representantes de clubes árabes, especializados em levar jogadores rodados, com mais de 30 anos, oferecem o artilheiro santista.
Kléber Pereira nunca esteve tão disposto a tentar fazer seu último grande contrato.
A falta de afinidade com o novo treinador santista o estimula.
Ou seja: os torcedores devem aproveitar as semifinais do Campeonato Paulista para gritar muito por seus artilheiros.
Em julho poderá restar apenas a saudade.
Milhões de euros nos cofres dos seus clubes ou parceiros.
E nos bolsos dos intermediários, lógico...
Por Cosme Rímoli às 15h51

Ivo Wortmann é um homem sério.
Respeitado como treinador, principalmente no Sul do País.
Dirige o Coritiba no ano do centenário do tradicional clube.
Seu currículo é surpreendente, foi campeão da Copa do Mundo com a equipe sub-17 da Arábia Saudita.
Foi auxiliar de Bruce Arena na Seleção Norte-Americana.
Cometeu um grave e marcante erro na carreira ao trocar o Coritiba, onde fazia excelente campanha, pelo Cruzeiro em 2001.
Pagou por isso: ficou apenas dez partidas.
"Errei mesmo, mas aprendi.
Nunca mais troco um trabalho aprofundado por uma grande equipe no papel e promessas vazias."
Ivo está concentrado outra vez no Coritiba, lutando pelo título paranaense.
E em plena Sexta-Feira Santa, conversou com o blog.
Como é dirigir um clube tradicional no ano em que completa cem anos?
Olha, o Coritiba é um clube onde a pressão sempre é grande por conquistas.
Mas, no futebol brasileiro, cresceu essa história de centenário.
Virou uma neurose.
A pressão para que o clube vença um título que já é grande, fica enorme.
Mas eu faço questão de colocar os meus pés no chão e não me deixar levar.
Não posso ir pela emoção dos cem anos.
Aqui no Coritiba o trabalho é sério e muito racional.
Completar 100 anos é importante, mas não pode influenciar o trabalho, desviar o foco.
No Brasil há uma panelinha de oito,dez treinadores considerados os melhores do País.
Você é sempre visto como uma representante da nova geração.
É difícil entrar para essa panelinha?
Olha, eu não sou de baladação, sou pela discrição.
Não supervalorizo tudo o que faço.
No futebol há muito interesse por trás das coisas.
As vezes eu fico pensando se deveria investir mais em divulgar o que eu faço.
Estar na mídia.
Os jornalistas do eixo Rio-São Paulo é que acaba elegendo esses treinadores de ponta.
Eu percebo todo o processo, mas vou ser sincero com você: não irei me violentar para aparecer.
Tenho as minhas convicções, os meus valores e a maneira que encaro a vida.
Não me violentarei para ganhar espaço.
Se as pessoas reconhecerem o meu trabalho, ótimo.
Se não reconhecerem, tudo bem.
O que interessa é o que eu penso.
Você estava quase entrando nessa panelinha quando trocou o Coritiba pelo Cruzeiro em 2001.
Foi o seu maior erro na carreira?
Foi. E eu me arrependo até hoje. Errei mesmo. Nunca mais troco o trabalho aprofundado por uma grande equipe e promessas vazias.
Me iludi. Pessoas próximas tentaram me fazer mudar de idéia, mas não as ouvi.
Acreditei em promessas vazias de várias pessoas. Não pude trabalhar. Fiquei pouco tempo e saí.
Tudo o que consegui com essa mudança de clube foi perder tempo, retroceder na carreira.
Foi duro, mas aprendi.
Não caio mais nessa armadilha.
O Nelsinho Baptista me disse que perdeu espaço na mídia brasileira ao ter trabalhado no Exterior.
Você também foi para fora. Ficou com essa impressão?
Eu discordo completamente do Nelsinho.
Para mim foi excelente. Conquistar a Copa do Mundo, a Copa do Golfo e o Campeonato Asiático sub-17 com a Arábia Saudita foi sensacional.
Classifiquei e disputei a Olimpíada de Atlanta como treinador da Arábia Saudita.
Desenvolvi um trabalho com o Bruce Arena na Seleção Norte-Americana. Fui seu auxiliar. Foi sensacional.
Dirigi o Dínamo da Rússia, também ótimo.
Eu sou feliz da vida por ter tido essas experiências. E mais pelo que pude proporcionar à minha família.
Sair do Brasil só me engrandeceu.
Trato de evoluir como homem e treinador e trazer conforto e segurança para a minha família.
É isso que me interessa.
E em relação aos jogos decisivos do Campeonato Paranaense?
O Campeonato Paranaense é muito parelho. Quem está longe pode estranhar os resultados e o equilíbrio.
Mas eu explico: os grandes clubes são fortes até pela tradição.
Os do interior ficaram fortes artificialmente. Ou seja: grupos de empresários milionários assumiram o clube e montaram o time.
Por isso as partidas são equilibradas. Quando você analisa de longe os resultados do J. Malucelli, por exemplo, pode não entender.
Mas quem é do Paraná, sabe o motivo: empresários que montaram a equipe.
Quais são as chances do Coritiba?
Olha, eu vou explicar o que aconteceu aqui.
Quando assumi a equipe perdi jogadores importantíssimos como o Keirrison, Marquinhos, Ricardinho, Alê.
O time sofreu uma reestruturação profunda.
Eu tive de conhecer os novos jogadores contratados e montar a equipe.
Os regionais têm sua grande rivalidade, mas têm também como função a montagem do time para o Brasileiro.
O Coritiba conseguiu se encaixar. É uma equipe forte, competitiva e que tem todas as chances de brigar pelo título paranaense.
Estamos trabalhando forte, duro. Queremos ser campeões. O trabalho está indo na direção certa.
E as pretensões para o Brasileiro?
O Dorival Júnior fez um grande trabalho em 2008 e levou o clube à Copa Sul-Americana com o décimo lugar.
Nós vamos contratar alguns jogadores para reforçar essa boa base que montamos.
O desejo de todos, particularmente, o meu é ir mais longe.
Entrar pensando na Libertadores. Meu planejamento é para isso, buscar uma vaga para a Libertadores.
Você é um treinador sem empresário. Dá para cogitar buscar clubes grandes do eixo Rio-São Paulo sem empresários?
Eu não tenho empresário, mesmo. Tenho um assessor que eu escuto muito.
Sei do poder dos empresários no futebol brasileiro. Mas não quero um, não.
Estou em um clube grande e tradicional como o Coritiba pelos meus méritos.
Tenho meus valores, tenho berço.
Não preciso corromper o que acredito para trocar de clube.
Por sinal, estou muito bem e feliz no Coritiba.
Você leva os seus auxiliares para o time que o contrata?
Eu não precisei trazer para o Coritiba. Conheço bem as pessoas que estão aqui.
Mas para qualquer outra equipe eu vou levar meus auxiliares.
Por um simples motivo: não confio naquelas pessoas que ficam enraizadas no clube.
Ficam a vida inteira em uma clube por questões políticas, bom relacionamento com dirigentes e não por talento.
No futebol brasileiro há muitos aproveitadores. E pouca gente de confiança.
Eu aprendi na marra.
Por Cosme Rímoli às 19h36
A torcida do São Paulo ama Rogério Ceni.
A diretoria do São Paulo ama Rogério Ceni.
Os companheiros de time amam Rogério Ceni.
Rogério Ceni ama Rogério Ceni.
É o atleta que mais vestiu a camisa do São Paulo na história.
Os números do seu site oficial são impressionantes: 849 partidas e 83 gols marcados.
O goleiro que mais marcou na história do futebol mundial.
Ninguém treina com tanta dedicação no CCT da Barra Funda.
Sempre, sem exceção, é o último jogador a parar de treinar.
Aos 36 anos, ele é tratado como uma entidade no São Paulo.
Muitas vezes se esquecem que é humano.
Um goleiro.
Que envelhece.
Que falha.
Mas parece ser um pecado tocar nos erros de Ceni.
Piora ainda mais o clima da Sexta Feira Santa.
Depois dos dois gols infantis que tomou contra o São Caetano, veio o gol bisonho de ontem diante do Defensor.
Bola levantada. Mal colocado, ela o iria encobrir.
Consegue dar alguns passos para trás, mas em vez de socá-la por cima, tenta agarrá-la.
Caiu com a bola para dentro do gol.
Ao final do jogo, correu até Borges e lhe deu a sua camisa em agradecimento ao atacante.
Ele fez dois gols e minimizou a nova falha do goleiro.
Os jogadores, a imprensa, os torcedores vão pelo mesmo caminho: Ceni tem crédito.
Deu o título mundial. Fez sensacionais defesas na carreira.
Não quis sair do Morumbi.
Será presidente do São Paulo no futuro.
Só que o calendário é implacável para todos.
Ele nasceu no dia 22 de janeiro de 1973.
Tem 36 anos.
As fibras musculares estão desgastadas.
Os músculos de explosão nas coxas, fundamentais para um goleiro, também.
As dores são mais constantes.
Tal qual Marcos no Palmeiras, Rogério continuará a ser perdoado a cada falha.
E elas virão, e, estão vindo, de forma cada vez mais frequentes com o passar do tempo.
Assim como o atacante quando envelhece se limita a ficar na área.
O lateral a apenas defender.
O zagueiro veterano implora a ajuda do volante.
Mas a verdade é que ninguém gosta de ver o óbvio: toda carreira tem um início, meio e um fim.
Até mesmo para quem parecia ser eterno.
E responde pelo nome de Rogério Ceni.
Por Cosme Rímoli às 12h36

O blog recebeu mais de 70 pedidos de leitores palmeirenses.
Todos queriam outra entrevista com o vice-presidente de futebol do Sport Recife, Guilherme Beltrão.
O mesmo que acusou Luxemburgo de treinador decadente e que assegurava a vitória do time pernambucano no jogo de ontem.
Pois bem...
Para felicidade destes 70 e mais outros tantos palmeirenses, aí vai: Guilherme Beltrão, parte II.
Pois bem, o Sport Recife perdeu por 2 a 0 para o Palmeiras. O que aconteceu?
Sei que os paulistas querem ouvir as minhas explicações. E vão ouvir.
O Palmeiras achou um gol em uma bola parada, passou a dar pontapés, gastar o tempo e marcou outro no contragolpe.
O time não fez nada demais. Achou um gol e depois recuou, todos ficaram atrás. O Marcos fez ótimas defesas.
O Palmeiras foi três vezes para o ataque e fez dois gols. Querem comemorar como um grande triunfo, podem comemorar.
Mas foi uma vitória de um time que só se defendeu. Não vejo mérito.
Mas foi graças à estratégia do técnico Luxemburgo, que você chamou de decadente...
Pois para mim, nada mudou. Ele nunca treinaria o Sport Recife. O que ele fez de bom no jogo?
Pediu para todos marcarem atrás da linha da bola e darem pontapés?
Foram 34 faltas do Palmeiras e 17 do Sport Recife.
Os números falam por si. O Sport foi a equipe que tentou jogar, buscar o ataque. Mas não conseguiu.
O Palmeiras se retrancou. Que mérito o Luxemburgo tem nisso? Esse é o grande treinador?
Se os palmeirenses estão satisfeitos com um técnico desses, que façam bom proveito.
Não quero falar mais nada dele, não. Deixa ele para lá e eu para cá.
Onde você assistiu a partida? Ficou muito nervoso com a derrota?
Assisti, no meu lugar de sempre. No camarote embaixo do placar. Eu vi tudo com tristeza, lógico.
Mas, pode não parecer. Sou um homem muito sereno, equilibrado.
Sou dirigente de um dos clubes mais importantes do Brasil.
Meu lado torcedor é uma coisa. O dirigente é outra.
Não quero ser visto como um atirador a esmo. Uma pessoa que promove a violência.
Talvez eu tenha me excedido na primeira entrevista a você.
Então também exagerou em relação a Ilha do Retiro. Disse que ela seria fundamental na vitória do Sport Recife.
Não era a Bombonera pernambucana?
Não pôde ser por causa do árbitro paraguaio Carlos Torres.
Além de uma arbitragem à brasileira, onde não podia pensar em encostar no jogador que já era falta, ele não deixou o clima pegar fogo.
Nós temos o que chamamos de rádio Ilha. É um sistema de som que incentiva o nosso torcedor e o deixa em ponto de bala para os jogos na Ilha do Retiro.
Esse juiz paraguaio mandou que ela se calasse cinco minutos antes do jogo começar. Acabou com o clima que sempre houve no nosso estádio.
O jogo chegou até a atrasar por conta dele.
Mas eu sei porque ele se comportou daquela maneira...
Por quê?
Porque o Palmeiras fez muita pressão na Conmebol. Depois que foi designado o juiz paraguaio, o Palmeiras passou para a pressão.
Fez o possível para o árbitro paraguaio apitasse como um brasileiro. A arbitragem favoreceu o nosso adversário
Mas vai dizer agora que está arrependido por ter brigado por um juiz estrangeiro?
De jeito nenhum. Não quero nem pensar no que aconteceria para o Sport se fosse um juiz brasileiro.
Mas não gostei do jeito do Carlos Torres apitar.
Ele conseguiu travar o nosso time. Não foi preciso nenhum lance capital. Foi travando aos poucos, com as faltas.
Os jogadores do Palmeiras fizeram cera à vontade. Não gostei nem um pouco do que vi.
E o clima de pacificação da partida? Você tinha botado fogo no jogo...
Pacificação? O Belluzzo, presidente do Palmeiras, homem do plano Cruzado, conseguiu um grande feito.
Homem ligado há muito tempo com o poder, ele soube lidar para ir além da pacificação.
Ele transformou Recife na faixa de Gaza.
Como assim?
Como? O Palmeiras chegou à Ilha com a proteção de 40 soldados. Quando o ônibus chegou, eram 40 soldados pernambucanos com os fuzis a postos.
Parecia que chegavam para uma guerra. Foram mobilizados 720 homens da PM. Fora o promotor e o juiz dentro do ônibus do Palmeiras.
Sem falar que o clube paulista ainda filmou a sua chegada. Era como se tivessem chegado para a Terceira Guerra Mundial.
Foi uma afronta para Recife.
Obra do Belluzzo que jantou até com o nosso governador, Eduardo Campos. Estava lá também o político Aldo Rabelo.
Quero ver se o governador José Serra fará a mesma coisa com o Sport Recife no jogo de quarta-feira.
Lógico que não.
O que você espera para a partida de volta, no Parque Antártica?
Eu? Não precisa de nada, não. Já sei que vou ter de passar no meio da torcida do Palmeiras e ficar espremido naquele camarotezinho com três cadeiras de madeira.
Eu tirei um rim cheio de câncer no ano passado. Não tenho medo de nada, não,.
Mas o promotor Paulo Castilho disse que vai estar no ônibus do Sport Recife em São Paulo...
Não precisa. Não queremos, não. Sabemos nos defender. Vamos com o peito aberto. Não temos medo de nada, não.
Vamos para o Parque Antártica confiante.
O Sport Recife vai ganhar do Palmeiras?
Do decadente Luxemburgo, como você o chama?
Eu sei o que vai acontecer no Parque Antártica.
Mas não vou falar. Chega de dar pilha aos meus inimigos.
Acabou, me toquei. Nem me adianta provocar, Cosme .
Depois do jogo, a gente conversa de novo.
Não esqueça de ligar...
Por Cosme Rímoli às 20h01

Dirigentes de futebol...
Palavra de honra de dirigentes de futebol...
O presidente da Portuguesa, Manuel da Lupa, transformou em um inferno a vida de duas pessoas.
E de suas famílias.
As testumunhas da possível tentativa de suborno ao zagueiro Jean da Ponte Preta.
"O presidente nos deu a palavra que iria nos preservar.
Não iria revelar os nossos nomes para ninguém.
Foi o acordo que fizemos.
Iríamos falar com quem fosse, mas queríamos ficar em sigilo.
Nem Boletim de Ocorrência era para falar que fizemos", diz o já famoso fantasma F.
Manuel da Lupa quis dar tanta credibilidade às denúncias que expôs Fernando Oliveira.
E Silvio Figueira.
Além dos nomes, distribuiu cópias do B. O. no Canindé.
Lá consta o endereço de trabalho dos dois, um shopping de carros em Santos.
No acordo entre eles, não era nem para divulgar o valor da tentativa de suborno de Jean, R$ 20.000,00.
"Os detalhes todos deveriam ficar com as autoridades.
A começar pelos nossos nomes", diz Fernando, que está morrendo de medo de se transformar em um fantasma de verdade.
As duas testemunhas, apavoradas, estão evitando a imprensa.
E pensam em mudar de trabalho e até de endereço.
Têm medo de represálias violentas.
Não só para eles.
Mas, principalmente, por suas famílias.
Tudo por conta da quebra da promessa feita Manuel da Lupa.
Por Cosme Rímoli às 17h43

O blog conseguiu entrevistar, de forma exclusiva, um fantasma.
Esse fantasma tem 36 anos.
Vamos ficar só com a primeira letra de fantasma, para falar com ele: F.
F deu um depoimento que terminou às três da manhã de hoje no 12º Distrito Policial do Pari, em São Paulo.
Acompanhado por dois advogados da Portuguesa, F falou sobre o caso mais delicado do Campeonato Paulista.
A denúncia contra o zagueiro Jean da Ponte Preta já virou caso de polícia.
Tudo que F falou ao blog foi dito na presença de policiais, no 12º DP do Pari.
Como tudo começou?
Eu e mais algumas pessoas estávamos em um lugar público no Litoral, na sexta-feira.
Uma pessoa falando alto garantia que o Santos chegaria às semifinais do Campeonato Paulista.
Todos nós prestamos atenção. Ela disse que tinha entrado em contato com um representante do zagueiro Jean da Ponte Preta.
Garanti que se precisasse, o Jean entraria em ação para fazer o Santos vencer o jogo.
Era sexta-feira.
Chegou no domingo, fiquei revoltado com o pênalti que o Jean cometeu.
Senti um frio na barriga quando vi que ele deu um pulo para dar um tapa na bola nos últimos minutos do jogo.
Fiquei revoltado. Vi na hora o quanto o futebol é sujo.
E resolvi procurar a diretoria da Portuguesa.
Me encontrei com o presidente ontem de manhã.
Como sabíamos que a imprensa estava no Canidé, nos encontramos no escritório de um advogado da Portuguesa.
Conversamos. E eu fui buscar as outras testemunhas.
Mas a conversa é toda a prova que você tem?
Eu falei na polícia o que eu ouvi. E lá eu passei o nome da pessoa, que eu não vou falar para você.
A polícia deve pedir a quebra do sigilo telefônico. Vai ficar claro que essa pessoa ligou para o representante do Jean.
E mais: essa mesma pessoa que falou em Santos, fez a mesma coisa no Shopping West Plaza, outras pessoas ouviram.
E testemunharam na delegacia comigo.
Se você ouve que alguém falou que matou alguém você tem de levar a faca suja de sangue para a delegacia?
Como foi o depoimento?
Nos chegamos com dois advogados da Portuguesa na delegacia.
Tomamos um chá de cadeira. Assistimos todo o primeiro tempo do jogo do Palmeiras e só depois nós falamos.
Não chegou a ser lavrado um Boletim de Ocorrência. Só pegaram os nossos depoimentos.
E falaram que vão investigar.
As provas que vocês têm são muito frágeis.
As conversas não foram gravadas.
Vocês não têm medo de ser processadas pela Ponte Preta, pela Jean?
As provas podem ser frágeis, mas eu sei o que eu ouvi.
Faço acareação com essa pessoa na polícia, na hora em que a polícia quiser.
Como é que alguém fala até o nome do zagueiro na sexta-feira e chega no domingo tudo acontece como ele havia previsto?
Se alguém resolver me processar, pode processar.
Eu sei que eu falei a verdade. A diretoria da Portuguesa também tem essa certeza, tanto que me deu todo o respaldo.
Mas o fato de você ser torcedor apaixonado da Portuguesa não compromete tudo o que você disse?
Sou torcedor sim da Portuguesa. Mas sou pai de família, trabalho. Não iria me expor diante da polícia se fosse coisa de torcedor.
Tenho uma vida de trabalho, não sou vagabundo, não sou fanático.
Qualquer pessoa de bem, com dignidade, ouvisse o que eu ouvi, ficaria chocado e iria até as últimas consequencias.
E tem mais: sou esclarecido. Sei que não deve dar em nada. O meio do futebol é muito sujo.
Mas eu cumpri a minha obrigação. Quero que as pessoas acordem e vejam como o futebol é de verdade.
Segunda parte. Depoimento exclusivo do promotor público, Paulo Castilho.
"O presidente da Portuguesa, Manuel da Lupa, me procurou ontem na Promotoria.
Ele me contou toda a história do F. E me disse que tinha mais três testemunhas.
Eu fui claro. É tudo muito vago. Ouvi dizer, não se sustenta.
Soube dos depoimentos na polícia. E daí?
Não vivemos em um filme de 007 onde tudo é gravado, tudo é filmado.
Não existe liminar capaz de parar o Campeonato Paulista agora.
Ele vai levar a denúncia ao TJD e baseado no artigo 275 do CBDF, que prevê fraude, pode pedir a anulação da partida envolvida.
Ou seja: se os auditores do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista acatar a denúncia, Ponte e Santos voltariam a jogar.
Mas eu adianto que é quase impossível. Repito: faltam provas.
E mais: a carreira do Jean está sendo colocada em risco.
Quem vai contratar o jogador depois que toda a imprensa já o expôs dessa maneira?
Eu acho a questão delicada e, até pela falta de uma legislação específicia no código civil, não vai dar em nada.
Só vai manchar o Campeonato Paulista e a carreira do Jean."
O presidente do Sindicado dos Atletas Profissionais de São Paulo, Rinaldo Martorelli, avisa:
"Vamos acionar judicialmente a diretoria da Portuguesa por expor um atleta profissional de forma leviana".
O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, jura que vai tomar o mesmo caminho, caso o presidente Manuel da Lupa não se retrate publicamente.
"Nós recebemos a denúncia e estamos correndo atrás dos nossos direitos.
Temos duas testemunhas que foram até polícia.
No nosso entender, o Campeonato Paulista tem de ser paralisado enquanto tudo não for investigado", diz da Lupa.
O presidente da FPF, Marco Polo del Nero, vai todos os dias até a Federação. Mas não dá entrevistas sobre o caso.
E Jean de Oliveira da Rolt, zagueiro de 27 anos da Ponte Preta e pivô da situação?
"Na próxima semana vou dar uma entrevista coletiva. Meus advogados estão analisando o caso."
A primeiras rodadas das semifinais do Campeonato Paulista estão confirmadas para o final de semana.
Sem o time da Portuguesa.
Por Cosme Rímoli às 12h08

A vitória não foi do Palmeiras, ontem em Recife.
Ela tem nome e sobrenome: Vanderlei Luxemburgo.
O treinador conseguiu se superar.
Mostrou que, às portas dos 57 anos, ainda está disposto a aprender.
Justo na competição que acumula mais fracassos na carreira.
Foram seis tombos marcantes, inesquecíveis.
Para quem gosta, torce pelo treinador.
E, principalmente, para quem não o suporta.
Desde 1991, Luxemburgo é humilhado na Libertadores da América.
Há 18 anos, caía com o seu time de coração, o Flamengo, nas quartas-de-final, diante do Boca Juniors.
Em 1994, foi eliminado com o Palmeiras nas oitavas. Perdeu para o São Paulo de Telê Santana.
Em 2004, se excedeu.
Foram dois fracassos. Foi demitido pela diretoria do Cruzeiro após os três primeiros jogos.
Assumiu o Santos que era de Leão, marcou de vez a inimizade entre os dois treinadores.
Mas, caiu nas quartas, diante do Onze Caldas.
Em 2007, no Santos, fez sua melhor campanha.
Foi eliminado nas semifinais, na Vila Belmiro, para o Grêmio de Mano Menezes.
As críticas sempre foram a que Luxemburgo não conseguia enxergar que a Libertadores é uma competição que exige marcação.
O treinador tem um talento inegável para montar times ofensivos.
Mas das inúmeras equipes que montou, e conquistou inúmeros títulos, nenhuma delas se notabilizou pelo poder de marcação.
Quem acompanha de perto sua carreira, vê traços de sua personalidade, arrogante, estampada na estratégia que escolhe.
Seus times costumam atacar, sem se preocupar em marcar, em claro desprezo ao poderio adversário.
Como se jogasse sozinho.
Ontem em Recife, em Pernambuco, na Bombailha, na até então temida Ilha do Retiro, Luxemburgo deu uma lição.
Ao eterno rival, Nelsinho Baptista, aos confiantes jogadores do Sport, à alucinada torcida do Leão e, principalmente, aos céticos jornalistas que seguem seus passos há anos.
Parece que, finalmente, entendeu a equação da Libertadores.
Time que não tem vergonha de fazer falta, de matar os contragolpes adversários, que se impõe pela força, tem mais chance de ganhar.
Não só o jogo.
Como a competição.
Mesmo com os erros graves que cometeu na formação do elenco.
Com o dinheiro da Traffic não se esforçou para buscar zagueiros de alto nível, lateral direto, e outro volante de marcação.
Privilegiou jogadores ofensivos.
Como se a preocupação fosse dar espetáculos em teatros, circo.
Apelou para uma velha estratégia.
A de consertar as equipes que montou errado, nos vestiários.
Foi assim que ganhou fama de gênio.
O treinador redirecionou, a fórceps, a filosofia palmeirense.
Luxemburgo juntou os jogadores, que com exceção de Pierre, tem dificuldade em perseguir um adversário e mostrou o poder da tática, da ocupação dos espaços.
Depois de truncar o Sport Recife, dos seus 25 jogos invictos, orgulhar os torcedores palmeirense, Luxemburgo fez mais.
Encarou o volante Sandro Goiano.
O treinador o havia chamado de covarde em 2007, quando atuava pelo Grêmio.
Sandro Goiano foi tomar satisfações ao final da partida de Luxemburgo.
E o treinador, sempre cercado de seguranças e aproveitadores, enfrentou um dos volantes mais agressivos do futebol brasileiro.
Desabafou, xingou, chamou para a briga.
A reação surpreendeu e intimidou o valente Sandro Goiano.
A raiva de Vanderlei Luxemburgo foi uma mistura de desabafo com exorcismo de velhos fantasmas.
O arrogante técnico está aprendendo a guerrear, a pelear.
Sua soberba e malemolência carioca não são suficientes para ganhar uma competição chamada de Libertadores da América.
E, ontem, finalmente, ele entendeu que, antes de tentar a genialidade para ganhar palmas e satisfazer o ego, no futebol é preciso fazer o óbvio.
Não ter vergonha de derrubar o adversário, chutar a bola longe, cobrar o juiz.
A vitória ontem foi toda de Vanderlei Luxemburgo.
Resta saber se foi um espasmo ou a descoberta de um novo caminho.
Por Cosme Rímoli às 02h28

Enquanto a carreira de Adriano decai a níveis impensáveis, a de Ronaldo se fortalece.
O próprio presidente Andres Sanches confidenciou a amigos que o atacante acaba de recusar uma ótima proposta.
Em tempos de crise, ainda de acordo com Andres, surgiu uma empresa disposta a pagar R$ 8 milhões de patrocínio.
Só para os calções e mangas do uniforme corintiano.
Ronaldo, por contrato, teria direito a 80% da quantia.
Andres ficou entusiasmado. Mesmo não completando os R$ 30 milhões sonhados.
Se somaria R$ 18 milhões pagos pela Batavo mais os R$ 8 milhões da tal empresa.
O valor ficaria em R$ 26 milhões.
Só que Ronaldo recusou.
Bateu no peito e falou para Andres que seu sonho de R$ 30 milhões é realizável.
Ou seja: quer R$ 12 milhões.
Ou cerca de R$ 10 milhões para ele.
"Espera... Deixa passar as finais do Campeonato Paulista.
Vamos conseguir muito mais."
Ronaldo está mais do que confiante na conquista do título e a valorização.
Mais: continua lutando com o patrocinador suíço do tônico capilar Crescina.
Ele sonha em ficar careca, como foi no seu auge, o mais rápido possível.
Foi sorrindo, à gravação do programa de Marília Gabriela.
E até do humorístico CQC.
Está fazendo amigos em São Paulo.
Seu bom humor cresce de acordo com que perde peso e melhora fisicamente.
Abandonou faz tempo os calções de basquete que usava para disfarçar a então imensa barriga, para um jogador.
Está andando com calças e camisetas apertadas. Até para mostrar que a barriga foi embora.
E mais: riu muito, com os jogadores que vieram falar com ele sobre a reportagem publicada na Playboy deste mês.
A matéria relembra, com detalhes, a fatídica noitada em Presidente Prudente.
Ronaldo só ri e balança a cabeça para quem lhe conta um pedaço da reportagem.
Não vai haver processo porque a matéria foi muito bem apurada, de acordo com quem estava naquela festança.
Por Cosme Rímoli às 20h21

O presidente do Fluminense, Roberto Horcades, não está só causando constrangimento.
Mas medo, a seus companheiros de diretoria.
Horcades se comporta como se fosse um dirigente da década de 60, do século passado.
Fala sem pensar.
E adora frases de efeito, que vão repercutir na imprensa carioca.
Algumas delas, para relembrar, e deixar vermelho de vergonha, o torcedor tricolor.
Inesquecível a que explicava a contratação de René Simões no ano passado.
"O René foi treinar as meninas do Brasil.
E conseguiu fazer com que as mulheres, mesmo com dois neurônios, conquistassem a medalha de prata na Olimpíada."
Tomou todo tipo de esculacho.
Sossegou.
Mas voltou à carga na apresentação do caríssimo Fred.
"Quero agradecer a participação da Unimed e do Celso de Barros (presidente da empresa) a contratação do Fábio.
O Fábio fará muito sucesso no Fluminense."
Depois veio uma inesperada confissão.
Perguntado se dava ingressos às torcidas uniformizadas do Fluminense, não disfarçou.
"Tenho quatro filhos para criar. Tenho medo em relação à minha integridade física se eu negar."
Todas as frases foram amplamente divulgadas pela mídia e Horcades passou a ser um mero personagem folclórico.
Foi aconselhado por companheiros de diretoria a parar de ser tão espontâneo.
E evitar mais polêmicas e desgastes desnecessários.
Mas não aguentou.
Empolgado com a campanha invicta de Parreira e o clássico contra o Flamengo pelas semifinais da Copa Rio, sua incontinência verbal voltou.
"O Flamengo só treme contra o Fluminense.
Que vai tremer eu não tenho dúvida, agora, se vai ganhar ou não é outra história.
Mas, historicamente, treme. O único clube que eles têm medo é o Fluminense.
Eles estavam doidos para perder o clássico de domingo passado para não cruzar com a gente na semifinal."
Horcades esperava que o outro lado levasse na esportiva e houvesse um duelo verbal para levar mais gente ao Maracanã.
Porém, notou que esse tempo passou.
A resposta de Cuca, treinador do Flamengo, foi direto no ponto temido pela diretoria presidida por Horcades.
"O presidente deveria saber que ele está falando não de um clube.
Mas de uma Nação. São milhões de torcedores do Flamengo que deveriam ser respeitados."
O Ministério Público do Rio de Janeiro já havia pedido aos dirigentes que evitassem frases provocativas.
Para não incitar a violência.
Mas parece que a mensagem não chegou ao Fluminense.
O clima ruim, tenso, de ameaças entre os torcedores, foi criado para o importante clássico.
Ainda bem que Horcades é cardiologista.
Pode cuidar da arritmia coletiva provocada nos seus companheiros de diretoria, aqueles que ainda pensam em ir ao Maracanã.
Por Cosme Rímoli às 13h05

Não é por acaso que Vanderlei Luxemburgo embarcou tranquilo para o Recife.
Ele adotou uma postura radical buscando proteção.
A ele pessoalmente e a toda delegação palmeirense.
Luxemburgo fez o que ninguém havia feito antes: procurou o Ministério Público.
"Há 15 dias, o Vanderlei me procurou preocupado com o jogo do Palmeiras no Recife.
Ele me disse que as declarações de um dirigente (o vice Guilherme Beltrão) tinham criado um clima de guerra.
Então, tomei as minhas providências.
Haverá um promotor e um juiz no ônibus da delegação palmeirense que chegará a Ilha do Retiro.
Se ninguém sabia disso é bom ficar sabendo para não fazer besteira."
A revelação ao blog foi feita pelo promotor Paulo Castilho.
Ele é designado pelo Ministério Público de São Paulo para tentar acabar com a violência nos estádios.
E também autor do projeto que modifica toda a legislação em praças esportivas no Brasil.
Quando o Vanderlei Luxemburgo procurou o senhor e por quê?
O Vanderlei me procurou há duas semanas. Ele estava muito preocupado com o clima de guerra criado por um dirigente do Sport Recife.
Eu conversei com ele e com o presidente do Palmeiras, o Luiz Gonzaga Belluzzo. Garanti aos dois que eles poderiam ir sem medo.
Não vai acontecer nada demais com a delegação do Palmeiras.
Como o senhor tem tanta certeza?
Por um motivo muito simples: eu faço parte do Conselho Nacional dos Promotores Gerais da União.
Eu conheço o promotor de Recife, Agnaldo Fenelon. Há uma integração nacional e as pessoas não sabem.
Conversei muito com ele e o Agnaldo com o juiz Ailton Alfredo. O Ailton exerce o cargo de juiz do torcedor, que só existe em Pernambuco.
É um juiz de direito que acompanha as partidas de futebol em Recife.
Resumindo a história: os dois estarão no ônibus que vai levar o Palmeiras do hotel ao estádio. E irão embora com a delegação.
Quer segurança maior? Quem vai atacar um ônibus com um promotor e um juiz dentro?
O Palmeiras vai poder jogar tranquilo.
E a madrugada de hoje? Há comentários que torcedores do Recife podem tentar soltar foguetes para impedir que os jogadores durmam...
Estamos prevenidos em relação a isso. Duas viaturas de Pernambuco estarão cuidando desses torcedores.
Vamos acabar com essa situação absurda. Os clubes de futebol precisam ter paz para jogar futebol.
O Ministério Público vai garantir essa paz.
E no jogo de volta, no Parque Antártica?
O Sport Recife terá toda a nossa proteção. Eu vou estar no ônibus dos pernambucanos.
O Ministério Público não vai permitir que nada demais aconteça nessas duas partidas.
O senhor não tem preocupação nenhuma com a partida de amanhã?
Só tenho em relação aos torcedores do Palmeiras.
Como a legislação é muito fraca, vem de 1940, minha preocupação é com a violência entre as torcidas.
Espero que a Polícia Militar de Pernambuco trabalhe bem e proteja os palmeirenses nas arquibancadas.
Porque com o Vanderlei e com o Palmeiras não vai acontecer nada.
Por Cosme Rímoli às 19h16
Parecia indisciplina, farra, desleixo com a carreira.
Tédio com os milhões de euros guardados e os milhares recebidos religiosamente.
Mas o problema de Adriano se mostrou muito mais sério do que as pessoas próximas imaginavam.
Ou não queriam ver.
"O Adriano é uma pessoa meiga, simples, educada.
O que ele está fazendo não é indisciplina.
Não está aprontando contra a entidade Inter de Milão.
Está fazendo contra ele.
Chegou a hora dele ser cuidado."
As frases são de Carlos Alberto Parreira.
Enquanto o treinador dava ontem entrevista a Sportv, o empresário Gilmar Rinaldi tomava as primeiras providências em relação ao Imperador.
Do Rio de Janeiro, ele ligava para a direção da Inter de Milão e acertava detalhes sobre o que fazer.
Depois de confirmar ao presidente Maximo Moratti o que todos sabiam, que Adriano havia ficado mesmo dias na favela, no Morro da Chatuba, chegava a hora das providências.
Com o sumiço do jogador depois da da partida contra o Peru, Gilmar resolveu assumir a figura paterna de Adriano.
O pai verdadeiro, Almir Ribeiro, morreu em 2004, com 46 anos.
Ele tinha uma bala alojada na cabeça. Tomou um tiro em um festa, na favela em que Adriano cresceu.
A bala não pôde ser retirada. Almir viveu anos com ela e sentia fortes dores de cabeça, para agonia do filho jogador.
Mesmo assim, o pai sempre esteve ao seu lado em todos os momentos.
Até que veio a morte inesperada, quando, orgulhoso, acompanhava o início do sucesso do filho.
Desde então, o atleta se perdeu.
As festas, os atrasos, os escândalos.
Depois do auge da Copa América, Copa das Confederações, quarteto mágico.
Veio a decadência.
Já na Copa da Alemanha, foi uma sombra dele mesmo.
A direção da Inter resolveu emprestá-lo para o São Paulo.
A fama do clube brasilero, de organizado, bem estruturado fez os italianos liberá-lo.
Sonhavam os italianos, que o Imperador voltaria recuperado depois da Libertadores.
"Ele nos ajudou. Fez o que pôde aqui no São Paulo. Mas infelizmente não jogou o que se esperava", diz, de forma resumida, Muricy Ramalho.
Na verdade, Adriano fez muita festa na Capital paulista.
Arrependida, a diretoria são-paulina assumiu internamente que errou ao contratá-lo. Nem tentou o reempréstimo.
Adriano não gostou e nem quis fazer partida de despedida do São Paulo.
No final de 2008, a Inter tentou trocá-lo por Drogba do Chelsea.
Luiz Felipe Scolari, que sabia dos problemas de Adriano, disse não.
A maior desconfiança de todos é o consumo de drogas.
"O Adriano não usa drogas de maneira alguma.
A Inter faz exames periódicos, todos os meses, nos jogadores.
O problema dele não está nas drogas.
Mas ele tem um problema grave", admite, abatido, Gilmar.
Desde que o pai morreu, Adriano tem períodos de profunda tristeza, depressão.
As pessoas próximas a ele, jornalistas italianos e brasileiros são unânimes em relação ao alto consumo de álcool.
Gilmar Rinaldi quer resolver de vez a questão com Adriano.
Após vários telefonemas com dirigentes da Inter e conversar com familiares e com o próprio jogador, a decisão está se desenhando.
A vontade de Gilmar é enfrentar todos os preconceitos no mundo do futebol.
E internar Adriano em uma clínica de reabilitação.
Por uma questão de privacidade, o melhor local seria a Europa.
A direção da Inter está propensa a aceitar a solução.
E promete acompanhá-lo até se ele quiser se tratar no Brasil.
"Nós estamos tristes pelo Adriano.
Queremos a recuperação do ser humano agora.
Que ele faça o melhor para acabar com o problema que está vivendo
O Adriano precisa de apoio", afirma, preocupado, o treinador José Mourinho.
Adriano tem três filhos.
Por Cosme Rímoli às 09h31

Dois jogadores da Portuguesa não têm sossego.
Desde que o clube não se classificou para as semifinais paulistas, Athirson e Edno não param de dizer que os seus destinos estão indefinidos.
E estão mesmo.
Athirson teve proposta de renovação da Portuguesa.
O clube divulgou que ele havia aceitado ficar até o 2010.
Os valores ficaram definidos.
Faltou apenas um detalhe: ele não assinou o novo contrato.
Athirson tem uma ótima proposta do Sport Recife.
Para disputar já a segunda fase da Libertadores, caso o time pernambucano se classifique.
Mas o seu amor secreto é o Flamengo.
Seu sonho é voltar ao clube do coração.
Mesmo correndo o risco de não receber salários, o lateral deseja atuar de novo na Gávea.
Já Edno tem proposta do São Paulo.
Tem interesse do Santos, Cruzeiro e Grêmio.
Só que a diretoria da Portuguesa já avisou empresários que só vendem Edno para o Exterior.
Representantes do Zaragoza e clubes franceses já trabalham a toda para vendê-lo.
A ordem do presidente Manuel da Lupa é não negociá-lo de jeito algum a clubes brasileiros.
O motivo só o dirigente pode explicar.
Pelo menos até junho, quando a janela para a Europa for reaberta, Edno deverá ficar na Portuguesa.
E disputar a Série B do Brasileiro.
Depois virará lucro para o clube do Canindé.
Por Cosme Rímoli às 00h18

11/2/2008
"Nosso time tem a mentalidade empresarial. Nossa folha de pagamento é de R$ 300 mil.
Recebemos R$ 1,2 milhão para disputar o Paulista. Visamos o lucro com o futebol.
Nossa organização de uma empresa faz com que pensemos em comprar um clube europeu.
É mais do que possível. Basta continuarmos trabalhando da maneira empresarial.
Vamos buscar esse clube europeu, sim."
6/04/2009
"Peguei o meu carro fiquei rodando, desnortado pela cidade.
Foram umas duas horas após o jogo.
Dirigia e chorava.
Fiquei dando voltas pelo estádio.
Só dormir, as 5h30, quando não tinha mais lágrimas.
Só sofri assim com a morte do meu pai."
As declarações são da mesma pessoa, Carlos Arini, presidente do Guaratinguetá, rebaixado ontem para a Série A2.
Em pouco mais de um ano, Carlito sentiu na pele que não basta ter dinheiro, planejamento, pagar salário em dia.
Ter sete patrocinadores.
Fazer pré-temporada em Jarinu, onde o Internacional queria fazer a sua.
Duas inter-temporadas no luxuoso e caro hotel Bourbon, em Atibaia, local frequentado pelo Palmeiras.
Nada disso valeu.
O futebol exige mais e não tolera erros.
E costuma cobrar caro.
Carlito, explique o rebaixamento do Guará, que era apresentado com um exemplo de modernidade...
Era, não. É. Mas dentro de um conjunto de erros que cometemos, o que determinou a queda do Guara foi um só: a falta de fome.
Os jogadores, os treinadores. Ninguém pode reclamar de nada. Demos toda a infraestrutura, salário em dia.
Condições de trabalho. Faltou fome. Tiveram tudo do bom e do melhor.
Não há planejamento capaz de prever a falta de empenho, a falta de luta, de dar um pouco mais.
Amor à camisa não se compra.
Porque se tivesse para vender, nós tínhamos comprado e dado para vários jogadores que não tiveram vergonha na cara.
Vocês erraram na formação da equipe?
Nós buscamos jogadores experientes, vividos. Sabíamos que a competição iria ser dura.
O Paulista tem dois meses e meio. E tínhamos bem claro o peso que seria o rebaixamento.
Mantivemos a base, estávamos com o Argel como treinador.
Os resultados não vieram, o trocamos pelo Estevam Soares. Não esperávamos, mas ele nos abandonou, indo para o Barueri.
Trouxemos o Márcio Araújo. Três treinadores para um período de dois meses e meio foi terrível para o time.
Como foi o drama do dia do rebaixamento, o domingo?
Nós entramos em campo sabendo que a nossa chance, segundos matemáticos, era de 1% de rebaixamento.
Mas os jogadores sabiam disso. Precisávamos apenas empatar com o Oeste de Itápolis.
A partida era em casa. Eu reuniu as sete torcidas uniformizadas e acompanhei a partida na arquibancada, junto com eles.
Foi um sofrimento terrível.
Durante a partida, o gandula sabia que o time estava caindo e invadiu o campo, chorando, e chacoalhou o nosso goleiro Fernando.
Ele gritava: "Avisa o time que estamos caindo. Estamos caindo".
Alguns jogadores até deram a alma. Outros, não. Deu para perceber quem só estava usando a camisa do Guará para ganhar dinheiro.
Não conseguimos empatar. Foi uma tristeza. Torcedor chorando, se enrolando na bandeira.
E eu lá, desesperado, envergonhado.
O que você falou para os jogadores depois da partida?
Primeiro fui dar parabénsa ao árbitro Paulo César de Oliveira. Disse a ele que nós caímos por incompetência. Ele não nos prejudicou.
Com os jogadores eu fui duro. Falei que eles não tinham o direito de ter destruído uma história tão linda de dez anos de sonhos.
E deixei claro que sabia quem era quem. Que sabia que iriam mostrar lágrimas de crocodilo e depois iriam comer pizza e dormir com seu bagaço (sua amante, na linguagem do futebol).
Avisei também que vários deles nunca mais vestiriam a camisa do Guará. Quarta-feira eles vão saber quem não ficará mais no clube.
E os que forem dispensados não pensem em pedir referências. Se alguém estiver interessado neles e me telefonar perguntando quem é quem, eu vou falar a verdade.
Não vou mentir. Quem só pensa em dinheiro, que assuma isso. Todos sabem quem só pensou em dinheiro e não estava nem aí para o Guará.
E o treinador Márcio Araújo?
Esse foi homem. Ele trabalhou como um louco para o Guará não cair. Quando o time foi rebaixado, ele me chamou e foi direto.
Disse que não tinha coragem, condições psicológicas de continuar na cidade que o havia tratado como um rei.
O Márcio chorou demais comigo e disse que não queria ver a tristeza dos habitantes de Guaratinguetá.
Foi embora com dignidade.
E a Prefeitura de Guaratinguetá? Cobrou alguma coisa?
Não. Nem tem o direito. O dinheiro da prefeitura não chega no clube. É um princípio nosso, que somos donos do Guará. A prefeitura que invista em saúde, escola, estradas.
O dinheiro do Guará é nosso, dos sócios. Nós administramos nas horas boas, em que conseguimos vários acessos. E também administraremos agora, no rebaixamento.
Quais são as consequencias práticas do rebaixamento?
Além da dor? Além de ter de reconquistar a confiança do nosso torcedor, o amor próprio do cidadão de Guaratinguétá?
Sendo prático, em vez de R$ 1,2 milhão que a Federação Paulista dá aos times pequenos da Série A, vamos receber R$ 60 mil na Série A2 no próximo ano.
É duro, mas a vida vai seguir. Estamos na Copa do Brasil e vamos enfrentar o Atlético Mineiro na outra quarta-feira.
Depois virá a Série C do Brasileiro.
Fomos rebaixados, doeu, mas não estamos mortos. Vamos seguir com o trabalho, com os investidores, com a mentalidade de empresa.
Não deu certo, despede quem tem de despedir e segue o rumo.
E os planos para comprar um time europeu?
Toda empresa que sofre um revés precisa adiar seus planos de expansão.
Ainda queremos controlar um time europeu. Vamos fazer isso.
Com o rebaixamento o plano foi adiado. Só adiado.
Nós sabemos o que estamos fazendo.
Nosso clube tem só dez anos.
O que aconteceu serve como uma lição.
Uma terrível lição.
Por Cosme Rímoli às 21h13
Possibilidade.
Chance de uma situação acontecer.
Isso explicado. Vamos a Ronaldo.
O jogador sente que o cenário está ficando cada vez mais favorável para a maior ressureição na carreira.
"Minha felicidade voltou.
É como se estivesse começando de novo", deixou escapar o atacante em recente entrevista à tevê.
E Ronaldo está levando a sério mais uma chance que a vida lhe deu.
Ele aproveitou a folga contra o Mirassol para treinar forte.
Perdeu mais um quilo. Ao contrário dos três acima que está afirmando há dez dias, ele estava com cinco quilos a mais.
Agora está quatro.
Sua massa muscular está ficando realmente mais forte.
Os trabalhos específicos nas coxas para proteger os joelhos deram resultados.
A propaganda da Ambev comemorando o seu sucesso no Corinthians, o inspirou.
Ao se ver novamente careca, sem cabelo, o jogador viu uma grande oportunidade de utilizar a mídia para voltar ao passado.
Seu contrato com a emprese suíça Crescina, tônico capilar, está no final.
O alvo da empresa sempre foi a Europa, o contrato foi assinado quando estava no Milan.
Ronaldo está negociando a antecipação do final do contrato para criar um novo fato que faria a alegria dos fotógrafos.
O atacante do Corinthians quer ficar careca de novo.
E, se possível, começar as semifinais do Paulista com a imagem que o consagrou no mundo todo.
Careca que lhe deu tanta sorte.
Quer aproveitar os holofotes todos voltados ao clássico de domingo, às 16 horas, no Pacaembu.
A TV Globo exigiu os clássicos entre Corinthians e São Paulo no domingos, e Santos e Palmeiras nos sábados, principalmente por Ronaldo.
Domingos são os dias nobres para a emissora carioca. Ela quis Ronaldo nos seus domingos.
Se for careca, melhor.
As negociações avançam.
É grande a chance de a empresa suíça ceder.
Repito, possibilidade.
Para, no futuro, ninguém cobrar o blog se Ronaldo continuar com seus cabelos que assustam as criancinhas.
Por Cosme Rímoli às 12h48

Vida de empresário de jogador de futebol da Seleção Brasileira.
Um paraíso.
Na maior parte do tempo.
Não quando o empresário cuida da carreira de Adriano.
Desde sexta-feira, a diretoria da Inter de Milão espera pelo atacante que cruzou o mundo.
Viajou da Itália até a América do Sul e não entrou sequer um minuto contra o Equador e o Peru.
Adriano está sumido, sem dar entrevistas desde quarta-feira à noite, após a partida contra os peruanos em Porto Alegre.
Os boatos foram se acumulando.
Primeiro, teria subido ao Morro da Chatuba no Rio de Janeiro.
E a PM teria feito uma batida, atrás de traficantes, e matado, por engano, Adriano.
O segundo e menos grave: Adriano teria se cansado da Inter de Milão e resolveu ficar no Brasil para que o clube italiano rescinda seu contrato.
Para jogar no Milan.
"Não é nada disso. Cansei de tantas invenções sobre ele.
Vou esclarecer: familiares do Adriano estão com problemas graves. Ele está bem, com saúde e vai ficar no Rio até resolver esses problemas."
Quem falou ao blog de forma exclusiva, há 15 minutos, foi Gilmar Rinaldi.
Ex-goleiro da Seleção Brasileira e empresário de Adriano.
Seu tom de voz era de quem está pagando os pecados que cometeu na vida...
Gilmar: cadê o Adriano? Ele sumiu de novo?
Olha, eu nem queria falar com a imprensa. Mas vou te atender para tentar acabar com essas mentiras que tenho ouvido.
Falei com o Adriano, ele está com sua família resolvendo graves problemas particulares. Não está sumido.
Está cuidando dos seus familiares. Está tudo sob controle.
Como assim? Já disseram que ele teria até sido morto no Morro da Chatuba no Rio?
É... e eu o estaria esperando chegar em uma delegacia do Rio de Janeira. Tudo mentira.
O Adriano está em ótimo estado de saúde. Eu estou aqui em Ilhabela.
Estou controlando toda a situação por telefone.
Mas a diretoria da Inter de Milão está reclamando, esperando pelo Adriano desde sexta-feira...
Eu estou falando de duas em duas horas com representantes da Inter. Eles já souberam do problema do Adriano.
A situação é chata, mas está sob controle.
Ele não está forçando a barra para sair da Inter e jogar no Milan?
De jeito nenhum. Ele tem mais um ano e meio de contrato e quer cumprir.
O Adriano está muito feliz na Inter de Milão. Só teve um problema. Todos podem ter problema, menos o Adriano?
Então você pode garantir que ele viajará a amanhã para a Itália? Afinal o jogo da Seleção foi na quarta-feira...
Olha, não sei quando ele viaja. Acredito que não seja amanhã. Ele precisa resolver seu problema antes.
A situação é essa: a direção da Inter sabe do problema. E mais importante, o Adriano está bem de saúde, não está morto, não.
Qual o problema que ele teve? A sua imagem já está desgastada. Não ficar tudo pior para ele? Inclusive na Seleção Brasileira?
Não vou falar o problema que é particular. Quanto ao resto, não me preocupa. Ele não está fazendo nada de errado.
Tudo vai ser resolvido. Repito: o bom é que ele não está morto.
Por Cosme Rímoli às 16h10
Trabalhou, com orgulho, por 22 anos no Jornal da Tarde.Cobriu as últimas quatro Copas do Mundo, cinco Eliminatórias para a Copa, quatro Copas América e dezenas de finais entre Libertadores, Brasileiros e Campeonatos Paulistas.
Cosme Rímoli aborda os bastidores do futebol, entrevista personagens significativos e analisa o que ocorre dentro e fora dos gramados.